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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CONTO DE ANO NOVO

MAMADOU SORRI ENQUANTO BEBE UMA CHÁVENA DE CHÁ
Fazia-se tarde. O Ano Novo levantou-se, nervoso, e procurou recompor-se a toda a pressa. Como se descuidara tanto? Como fora capaz de deixar o tempo passar assim? Agora, antes de partir, tinha de verificar se tudo estava no seu lugar. Muitas coisas dependiam do seu cuidado.
Apalpou bem o corpo todo e viu que o Outono estava onde sempre esteve, que os álamos sem folhas de janeiro tiritavam de frio, junto ao ribeiro do vale, e que a erva brotava no prado onde, na primavera, o vitelinho iria provar o seu sabor acre pela primeira vez.
Não havia um instante a perder!
Alinhou as florestas, inspecionou os desertos, reviu os oceanos e retocou, com carinho, o bando de pássaros que, no dia 4 de maio, iria pousar no arame com mofo daquela cerca. Tudo estava pronto exceto ele, que estava atrasado! Sabia bem que, se não chegasse a tempo do encontro com o Ano Velho, o tempo ficaria parado e o ano que agora principiava ficaria todo baralhado.
Ainda não tinha saído quando sentiu um olhar cravado no seu rosto. Apercebeu-se de que alguém o fixava, de que uns olhos pequenos se cravavam com força nos seus, muito maiores. O Ano Novo estava com muita pressa, mas não teve outro remédio senão parar e virar-se para trás. Mas onde procurar?
Examinou a África, que, agora, por alturas de junho, se encontrava entre um resto de savana ressequida e o início da época das chuvas, este ano um pouco atrasado. E foi lá que viu um menino a olhar para ele, deitado no chão, sem forças para continuar a respirar. Junto dele estavam outras crianças, algumas já de olhos fechados. Perto dali havia tendas de campanha, médicos em rebuliço a calcorrear o pó de um lado para o outro, ouviam-se choros, gritos e via-se uma bandeira com uma cruz vermelha engelhada.
Uma médica, ainda nova, olhava para a criança estendida no chão e, com um gesto de resignação, tomava-lhe o pulso.
— Já não vamos a tempo — disse para o enfermeiro.
— O pai dele morreu, mal aqui chegou — respondeu este.
Ambos evitavam olhá-lo nos olhos e, por isso, a criança olhava para o Ano Novo insistentemente, como se esperasse dele alguma resposta. Mas o Ano Novo não se lembrava de nada e as passadas do Ano Velho soavam já do outro lado das doze badaladas!
Contudo, quando o Ano Novo olhou outra vez para Mamadou — assim se chamava o menino — suspirou. E, enquanto corria para o encontro marcado, o seu suspiro condensou-se em forma de nuvem. O vento pegou nessa nuvem e empurrou-a pelos corredores frios do firmamento. As estações do ano discutiram um pouco até decidirem colocar a nuvem no dia certo. Por fim, o suspiro tornou-se chuva, que começou a cair no campo de milho que o pai de Mamadou iria finalmente colher. O Ano Novo sabia que esse punhado de grão pouco era. Sabia que o pai de Mamadou iria morrer mal chegasse ao campo de refugiados e sabia que Mamadou veria o seu corpo estendido.
Mas, graças a esse pouco milho de maio, Maria pôde dizer ao enfermeiro:
— Depressa! Ainda vamos a tempo.
E o Ano Novo acabou por ver um brilho nos olhos azuis da médica.
E eu, que acabo de escrever isto, e que sei que o Ano Novo chegou a tempo de encontrar o Ano Velho e que, por isso, este ano não conhecerá nenhum desacerto, sorrio enquanto Maria e Mamadou tomam chá a meu lado. Mamadou ainda fala mal espanhol, mas parece compreender tudo. Maria, a sua nova mãe, diz-lhe algo engraçado e Mamadou sorri, enquanto bebe uma chávena de chá.

José Zafra, Ana Garralón
El gran libro de la Navidad
Madrid, Anaya, 2003
(Tradução e adaptação)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CONTO DE NATAL

As Luzes de Natal
Antes de o meu pai morrer, o Natal era uma época mágica nos longos e escuros invernos de Bathrurst, em New Brunswick. Os dias frios e tempestuosos começavam cedo, logo no fim de setembro. A dada altura, acendiam-se as luzes de Natal e a expectativa crescia. Por alturas da véspera de Natal, o vulgar pinheiro que o meu pai arrastara até nossa casa dez dias antes adquiria uma vida própria, plena de magia e de luz. O seu brilho era de tal forma maravilhoso que conseguia, sozinho, afastar toda a escuridão do inverno.
Na véspera de Natal, pouco antes da meia-noite, agasalhávamo-nos bem e íamos à missa do galo. A beleza do som do coro causava-me arrepios e, quando a minha irmã mais velha, que era solista, cantava Noite Feliz, a minha face corava de orgulho.
No dia de Natal de manhã, eu era o primeiro a levantar. Saía da cama atabalhoadamente e descia em direção ao brilho intenso da sala de estar. Embora tentasse manter-me direito, os olhos cheios de sono faziam-me cambalear. Quando entrava na sala, via-me diante do esplendor do Natal. Os meus olhos toldados e cheios de sono criavam uma auréola à volta de cada luz, amplificando-a e aquecendo-a. Após uns breves instantes, esfregava os olhos e via uma infinidade de fitas e laços e um amontoado de presentes coloridos. Nunca me esquecerei da sensação do primeiro vislumbre dessa manhã. Após alguns minutos a sós com a magia do Natal, ia buscar os meus irmãos e juntos acordávamos os nossos pais.
Certa noite de novembro, quando faltava um mês para o Natal, eu estava sentado à mesa da sala de jantar a jogar o Solitário. A minha mãe estava ocupada na cozinha, mas, de vez em quando, aproximava-se da sala de estar para ouvir o seu programa de rádio preferido.
Embora estivesse escuro e frio lá fora, o interior da casa estava agradável. O meu pai tinha-me prometido que à noite jogaríamos as cartas, mas já estava quase na hora de ir para a cama e ele ainda não tinha chegado. Quando o ouvi entrar pela porta da cozinha, levantei-me de um salto e fui ao seu encontro. Embora lançasse um olhar preocupado à minha mãe, o que achei estranho, abraçou-me quando corri para os seus braços. Adorava abraçar o meu pai numa noite de inverno. O casaco grosso e frio comprimia-se contra a minha cara e o cheiro do gelo misturava-se com o cheiro da lã.
Só que desta vez foi diferente. Depois dos segundos iniciais do abraço habitual, o seu corpo começou a ficar hirto. Fiquei um pouco assustado com esta reação anormal e senti-me aliviado quando a minha mãe me arrancou dos braços dele. Naquela altura, não compreendi que o meu pai acabava de sofrer um enfarte. Pediram-me para descer para o quarto de jogos e para brincar com os meus irmãos. Do fundo da escada, vi chegar o médico e o padre. Mais tarde, vi os enfermeiros entrar e depois vi-os sair, transportando uma maca coberta com uma manta vermelha. Não chorei na noite da morte do meu pai, nem no dia do funeral. Não que reprimisse as lágrimas. Simplesmente, não tinha lágrimas para chorar.
Na manhã do dia de Natal, como habitualmente, fui o primeiro a levantar-me. Mas este ano era diferente. A manhã já despontava no céu. Mais acordado do que de costume, desci para a sala de estar. Só me apercebi de que havia algo de estranho quando entrei na sala. Em vez de ficar ofuscado com as luzes brilhantes, conseguia ver tudo com nitidez naquela sala sombria. Conseguia ver o pinheiro, os presentes e até, através da janela, um pouco do exterior. O meu pai já não estava presente para assegurar que as luzes do pinheiro tinham ficado acesas. Quebrara-se a magia do Natal da minha infância.
Entretanto, os anos passaram. Durante a minha juventude, voluntariei-me sempre para trabalhar no Natal. O dia de Natal não era bom, nem era mau. Era mais um dia cinzento de inverno, com a vantagem de receber algum dinheiro extra pelo facto de trabalhar. Depois apaixonei-me e casei-me. O primeiro Natal do nosso filho foi o melhor que eu tinha tido em vinte anos. À medida que ele foi crescendo, o Natal foi melhorando. Quando a nossa filha nasceu, já recuperáramos algumas tradições familiares e o Natal tornou-se, de novo, uma época maravilhosa. Era divertido esperar pelo Natal, ver a excitação das crianças e, acima de tudo, passar o dia de Natal com a minha família. Na véspera de Natal, continuei a tradição iniciada pelo meu pai e deixava as luzes do pinheiro ligadas naquela noite para que, de manhã, as crianças pudessem viver aquela experiência maravilhosa.
Numa noite de Natal, tinha o meu filho nove anos, a mesma idade que eu tinha quando o meu pai faleceu, enquanto via a missa do galo na televisão adormeceram no sofá. O coro cantava lindamente e a última coisa de que me lembro foi de desejar ouvir outra vez a minha irmã a entoar Noite Feliz. Acordei de manhã cedo com o barulho que o meu filho fazia enquanto descia para a sala de jantar. Vi-o parar e olhar o pinheiro, boquiaberto. Então, lembrei-me da minha infância e soube que o meu pai me tinha amado da mesma forma que eu amava o meu filho. Soube que ele tinha sentido por mim uma mistura de orgulho, de alegria e de amor ilimitado. E, naquele instante, soube como me tinha zangado com o meu pai por ele ter morrido e quanto amor tinha escondido durante toda a minha vida por causa desse sentimento de raiva. Senti-me um rapazinho, cujas lágrimas estavam prestes a brotar, e não havia palavras para exprimir a imensa pena e a alegria irresistível que experimentava em simultâneo. Esfreguei os olhos com as costas da mão para ver melhor. Com os olhos húmidos e a visão toldada, olhei para o meu filho que estava diante do pinheiro. Meu Deus, que pinheiro magnífico! Era o pinheiro da minha infância. Através das lágrimas, as luzes do pinheiro irradiavam um brilho quente e cintilante. Os amarelos, verdes, vermelhos e azuis, tremeluzentes e suaves, envolveram-nos. Tinham-me sido roubados pela morte do meu pai. Mas, ao amar o meu filho tanto quanto o meu pai me amara, pude ver, uma vez mais, as luzes de Natal. E, a partir desse dia, recuperei toda a magia e alegria do Natal.
Michael Hogan
J. Canfield, M. V. Hansen, J. Matthews, R. Aaron
Chicken Soup for the Canadian Soul
Florida, HCI, 2010
(Tradução e adaptação)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2011

Trio de activistas já recebeu Nobel da Paz 2011
Tawakkol Karman,  Leymah Gbowee e Ellen Johnson Sirleaf (foto AP)
A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a também liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkol Karman, figura de liderança da Primavera Árabe, receberam este sábado, em Oslo, o Prémio Nobel da paz, por destacarem o papel das mulheres na resolução de conflitos.
«Vocês representam uma das forças motrizes mais importantes da mudança no mundo de hoje: a luta pelos direitos humanos em geral e a das mulheres pela igualdade e a paz, em particular», declarou o presidente do comité Nobel, Thorbjoern Jagland, durante a entrega do prémio.
As três dedicaram por sua vez o prémio a todas as mulheres. Johnson-Sirleaf destacou «especialmente aquelas que viram os desastres que a violência impiedosa causa» e lembrou as mulheres que, «com a sua luta privada e silenciosa, ajudaram a formar o nosso mundo». «Não tenham medo de condenar a injustiça, embora estejam em minoria. Não tenham medo de procurar a paz, embora tenham a voz fraca. Não tenham medo de exigir a paz», disse.
In “A bola” em 13 de dezembro de 2011

FRASE DO DIA

"Qualquer idiota pode fazer uma regra e qualquer idiota a seguirá."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FRASE DO DIA

"As coisas que sabemos melhor são as coisas que não nos ensinaram."

O Assistente do Vampiro (DVD)

CONTO DE NATAL

BABUSHKA
Há muitos anos vivia uma velhinha num sítio muito distante. Era rechonchuda e doce como um pudim de Natal e não parava de varrer, limpar o pó e polir, desde o nascer do sol até aparecerem as primeiras estrelas.
Não havia um grão de pó ou uma teia de aranha na sua casa. Ela mantinha-se sempre ocupada, porque havia um lugar vazio no seu coração e ficava triste quando pensava nisso.
Ora, uma bela noite, Babushka estava a polir os castiçais, quando viu uma estrela nova e brilhante cintilar através da janela.
“Olha, os vidros têm uma mancha”, disse Babushka. “Só dei por isso agora. Mas que aborrecimento.”
A estrela estava escondida por detrás de uma nuvem. Babushka começou a esfregar o vidro. Olhou lá para fora e viu um anjo no jardim.
“Boas novas!”, cantou o anjo.
“Se quiseres entrar, tens de limpar os pés”, disse Babushka.
O anjo voou para longe.
Bateram à porta. Eram três reis com as suas coroas de ouro.
“Entrem, majestades”, disse Babushka, “mas descalcem, por favor, as vossas botas reais.”
“Andamos a seguir a estrela”, disseram os três, “que nos vai conduzir até ao pequeno novo rei. Gostarias de vir connosco?”
“Eu não tenho tempo para andar a viajar!”, disse ela. “Quem é que me lava a louça depois?”
Os camelos dos reis estavam junto do portão.
“Oh!”, disse Babushka. “Patas enlameadas a sujarem a minha entrada! Xô! Xô!”, disse sacudindo o pano do pó. Os camelos assustaram-se e fugiram a galope para longe, e os reis foram atrás deles. “Vou sentar-me um bocadinho para descansar os pés”, disse Babushka, “e depois vou limpar o canário.”
Mal se acabara de sentar, começou a cabecear com sono e adormeceu.
O anjo apareceu de novo e cantou uma cantiga que falava de um menino nascido num estábulo e que tinha apenas uma fralda a envolvê-lo. A estrela, saindo de trás da nuvem, atravessou a janela com a sua luz e iluminou em cheio o rosto adormecido de Babushka, que acordou. “Valha-me Deus!”, disse. “Um bebé num estábulo todo sujo, cheio de animais, onde nem sequer há um xaile quentinho que o tape? Tenho de me pôr já a caminho.”
Numa cesta pôs um pequeno palhaço de brinquedo, um xaile quente e uma garrafa de licor de gengibre para os mais crescidos, e pôs-se a caminho. O céu, iluminado pela estrela como se fosse de dia, estava cheio de anjos, mas Babushka não olhava para cima.
“Toda esta poeira na estrada! Isto é uma vergonha”, disse ela.
Babushka viu logo adiante uma mulher e uma menina na berma da estrada. A menina estava a chorar.
“O que se passa, minha querida?”, perguntou Babushka.
“Íamos a correr para vermos o novo rei, e ela perdeu a boneca”, disse a mãe da menina.
“Pu-la no bolso e ela deve ter caído”, disse a menina soluçando.
Babushka tirou o palhaço de brinquedo da cesta e fê-lo dançar. A menina parou de chorar e riu.
“Toma lá, com todo o meu amor”, disse Babushka dando-lhe o boneco.
Um pouco mais à frente, Babushka encontrou uma velhinha muito queixosa, caminhando com dificuldade.
“O que se passa, minha querida?”, perguntou Babushka.
“Eu gostava tanto de ir ver o menino”, disse a velhinha, “mas não posso ir depressa porque me doem muito as pernas.”
“Olha”, disse Babushka, “toma este licor fortificante, com todo o meu carinho. Vai-te fazer muito bem.”
A velhinha bebeu um grande gole e afastou-se a passo rápido com um sorriso no rosto e uma palavra de gratidão nos lábios. Logo a seguir, Babushka encontrou um pastorinho transportando um cordeirinho acabado de nascer. O rapazinho tremia com frio.
“Não consegui acompanhar os outros”, disse. “Tenho os braços tão frios que não consigo levar este cordeirinho mais tempo. É um presente para o novo rei recém-nascido.”
Babushka aconchegou-lhe o xaile em volta dos ombros.
“Toma isto, com todo o meu amor”, disse. “Assim não sentirás frio durante a viagem.”
Babushka continuou o seu caminho. A cesta parecia leve como o ar. Parou e olhou Iá para dentro. Estava vazia!
“Oh, minha velha tonta”, disse para si mesma. “Tu deste os presentes todos.”
Triste, voltou para trás pelo mesmo caminho. “Eu não posso ir saudar o menino sem levar uma prenda”, disse.
Foi quando ouviu uma voz a chamar: “Babushka!” Era Maria.
Babushka parou, hesitante. “Eu não trago nenhum presente”, disse.
“Faz favor de entrar”, disse Maria sorrindo.
Babushka entrou e lá estava o menino envolto no xaile quentinho. O pequeno palhaço estava ao lado dele na manjedoura. José bebia o seu licor fortificante.
“Mas eu dei todas as prendas!”, disse Babushka.
“Tudo o que deste com amor deste-o também ao meu filho”, disse Maria.
Babushka observou tudo muito bem à sua volta.
“Olhem para estas teias de aranha”, disse. “Vou já limpá-las.”
Foi então que o menino estendeu os braços e sorriu. Os seus olhos pareciam a noite estrelada e profunda. O seu sorriso era o próprio amor.Babushka sentiu uma estranha sensação que a fez esquecer as limpezas.“Gostavas de lhe pegar?”, perguntou Maria.
Babushka tomou o menino nos braços.
Rodeada de todos os animais, Babushka fez uma festa no focinho do velho burro cinzento, e o burrinho encostou-lhe o focinho ao ouvido. O menino ria contente, tal como Babushka.
Ela apertou-o contra si.
“Paz”, cantavam os anjos.
Sandra Ann Horn
Babushka
Porto, Campo das Letras, 2002

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

RIO MONDEGO RIO SELVAGEM - Daniel Pinheiro

http://www.youtube.com/watch?v=YY-pvlsgK2w&feature=player_embedded

Amanhã Comemora-se o Dia da Imaculada Conceição - 8 de dezembro

O significado do dia 8 de dezembro

A Igreja Católica celebra a 8 de dezembro o dia da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. É uma festa que se situa no início do ano litúrgico, Tempo do Advento, iluminando o caminho da Igreja rumo ao Natal do Senhor.
Imaculada Conceição é um dos importantes títulos com que é venerada a Virgem Maria.
O dogma Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, com a bula Ineffabilis Deus, resultado da devoção popular aliada a intervenções papais e infindáveis debates teológicos.
Nos anos 700 esta celebração já existia no oriente. Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória a toda a cristandade.
Em Portugal, o culto foi oficializado por D. João IV, filho de D. Teodósio e D. Ana Velasco, primeiro rei da dinastia de Bragança. Sendo um dos nossos feriados nacionais, de extrema importância para Vila Viçosa, uma vez que é aqui que se encontra Nª. Sr.ª da Conceição.
Foi também em Vila Viçosa que D. João IV, filho dedicado e obediente da Santa Igreja e devotíssimo da Virgem da Conceição, perante a imagem de Nossa Senhora da Conceição ofereceu Portugal à Mãe Imaculada de Jesus, depondo a coroa real aos pés da Rainha do Céu que, doravante, seria também a Rainha de Portugal. A que era somente Padroeira de Vila Viçosa passou a ser Padroeira de Portugal.
Para além da coroação de Nossa Senhora da Conceição, D. João IV reconhecendo a proteção eficaz da Padroeira do Reino pela libertação do domínio francês, criou a ordem militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Depois desse grande momento, os reis seus sucessores nunca mais puseram sobre a cabeça a coroa real.
A grande peregrinação anual ao santuário de Vila Viçosa celebra-se a 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira principal de Portugal.

In “www.cm-vilavicosa.pt/pt/conteudos/.../8%20dezembro.htm”

FRASE DO DIA

"O difícil não é dar, é não dar tudo."
Sidonie Colette

Mulheres que comem mais peixe sofrem menos do coração

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2169198&seccao=Sa%FAde

Fotos mostram que pode haver muita água em Marte

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2164482

Descobertos os dois maiores buracos negros de sempre

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2168534

NASA confirma planeta 'habitável' fora do Sistema Solar

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2169151

Novo sistema de refrigeração arrefece dez vezes mais rápido

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2167715

Cemitério de escravos de Lagos é único no mundo

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2169763

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sapos conseguem prever tremores de terra com dias de antecedência

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1523490

Vencedores do concurso"Voar na minha biblioteca de sonhos" no âmbito do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.

2º Lugar
3º lugar

HISTÓRIA PARA PENSAR...

O NATAL NAS TRINCHEIRAS
Os presentes tinham sido abertos e o jantar acabara. Depois de um longo passeio pelos campos cobertos de neve, o jovem Thomas aconchegou-se junto do avô e disse:
— Avô, este Natal foi o meu preferido. E tu, tens algum Natal favorito?
— Tenho, Thomas — respondeu o avô Francis. — Passei-o muito longe de casa, durante o primeiro Inverno da Grande Guerra.
— Estiveste na guerra, avô? — perguntou a pequena Nora, subindo para o colo dele. — Foste um herói?
O avô sorriu e sugeriu:
— E se começássemos pelo princípio?
As duas crianças aproximaram-se ainda mais dele.
— Foi em 1914. Os meus companheiros e eu estávamos há já várias semanas no campo de batalha. Sentíamo-nos sozinhos e assustados, embora tentássemos ser corajosos. Tínhamos passado um mês longo e frio em trincheiras lamacentas, que eram, naquela altura, a nossa casa.
Sabíamos que não haveria tréguas no combate e que passaríamos o Natal ali mesmo. Aquela véspera de Natal aconteceu numa noite igual à de hoje. Os céus estavam a clarear e a geada cobria a Terra de Ninguém, o campo que nos separava dos soldados alemães.
E ali estávamos nós, diante das trincheiras inimigas, à espera… Aparte as bombas e as batalhas, a guerra consiste em esperar. Esperar para ver quem vai dar o próximo passo. Nessa noite, sentimos que iam ser os Alemães. E tínhamos razão. De repente, uma sentinela fez sinal a pedir silêncio e ficámos todos calados.
Foi então que um som rasgou o frio da noite gelada.
O som provinha do lado inimigo da Terra de Ninguém e um soldado inglês que sabia alemão disse tratar-se de um cântico de Natal. Em breve, todos os Alemães entoavam a mesma canção. Quando terminaram, decidimos responder-lhes com um cântico de Natal que todos conhecíamos.
Depois, os Alemães entoaram “Noite Feliz”, ao qual nos juntámos, com a letra cantada em inglês. Foi como se a terra inteira entoasse o mesmo cântico… Nunca pensei que cantar fosse tão sagrado. De repente, a sentinela de vigia gritou:
— Aproxima-se alguém!
E, enquanto apontávamos as espingardas à escuridão de Dezembro, deparámos com algo de extraordinário. Uma figura vinha até nós através da Terra de Ninguém. Numa mão trazia uma bandeira branca, e na outra uma árvore de Natal cheia de velinhas. Era um gesto tão surpreendente e corajoso que não pude deixar de saltar da trincheira e de ir ter com aquele soldado.
Fui o primeiro de muitos. Em breve, todos os soldados de ambos os lados se encontravam fora das trincheiras. Era tudo tão novo e estranho que, no início, estávamos nervosos. Passado pouco tempo, porém, trocávamos já pequenas lembranças – chocolates, conservas de carne, tudo o que pudéssemos partilhar. Quando mostrámos uns aos outros fotografias de casa e da família, deixámos de ser soldados e de ser inimigos. Éramos apenas filhos e pais, longe da família e de casa.
Um dos nossos rapazes trouxe um acordeão e um dos deles começou a tocar violino. E acabámos por improvisar… um baile. Foi uma bela festa de Natal! Mas a alvorada em breve nos anunciou que tínhamos de regressar. Regressar às trincheiras, voltar a esperar. Pensar no que nos tinha acontecido e em qual seria o nosso próximo passo.
Esta é minha recordação favorita de Natal. Hoje sou um homem diferente por causa do rapaz que fui naquela noite.
O avô abraçou os netos com força.
— Será que fui um herói? Penso que, naquela noite, todos fomos heróis.

John McCutcheon; Henri Sørensen
Christmas in the trenches
Atlanta, Peachtree Publishers, 2006
(Tradução e adaptação)

OS INTOCÁVEIS - MAIS UM BESTSELLER INTERNACIONAL

FRASE DO DIA

"Talento é paciência sem fim."

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A propósito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência ( 3 de Dezembro), enviamos a seguinte história:

O desejo de Nathan
A minha vizinha, Miss Sandy, é reabilitadora de aves de rapina, ou seja, toma conta de aves feridas, como corujas e falcões, até elas serem capazes de voar de novo.
Todos os dias, vejo-a misturar medicamentos, distribuir comida e limpar as grandes gaiolas que tem no pátio. Por muito cansada ou ocupada que esteja, Miss Sandy tem sempre tempo para falar comigo acerca dos pássaros.
O meu maior desejo era poder andar sozinho para poder ajudá-la nas tarefas, em vez de estar apenas a observar. Mas, como tenho paralisia cerebral, os meus músculos não têm força suficiente para que eu ande sem cadeira de rodas ou andarilho.
Certo dia, Miss Sandy mostra-me uma coruja-das-torres, que tem uma asa partida. Embora a asa esteja dentro de uma tala, a coruja tenta escapar debatendo-se contra as paredes da caixa de madeira onde foi colocada.
— Vai ter de ficar aqui até a asa sarar — diz Miss Sandy. — Que nome achas que lhe devemos dar, Nathan? — pergunta-me.
Os olhos brilhantes e amarelos da coruja faíscam, zangados.
— Que tal Fogo? — proponho.
— Parece-me um bom nome — concorda Miss Sandy. — Espero que em breve a Fogo acalme.
Contudo, em cada dia que passa, a Fogo continua a lutar para ser livre e preocupo-me que se magoe de novo. Finalmente, Miss Sandy tira a tala da asa e coloca a coruja numa gaiola.
— A Fogo precisa de exercitar a asa — explica-me.
À medida que as semanas passam, a asa torna-se cada vez mais forte e a Fogo é colocada numa gaiola maior. Por vezes, ignora os ratos mortos que Miss Sandy lhe traz e prefere perscrutar o céu. Percebo que gostaria de caçar a sua própria comida.
— Quanto tempo falta para ela poder voar de novo? — pergunto, um dia.
— Uma asa partida demora muito a ficar curada — respondeu Miss Sandy. — Pareces tão impaciente quanto ela, Nathan!
E estou. Estou ansioso que a Fogo seja de novo livre. Quando estou na escola e vejo um pássaro a voar lá fora, penso na Fogo e deixo de ouvir o professor.
À noite, quando oiço um grito estridente vindo do pátio, pergunto-me se a Fogo estará a chamar os amigos.
Um dia, vejo a gaiola dela vazia. Miss Sandy colocou-a numa pequena caixa que segura nas mãos.
— Vou pô-la na gaiola de voo, para ver até onde consegue ir — explica-me.
Enquanto a sigo, oiço o coração a bater nos meus ouvidos. Se a Fogo voar bem, Miss Sandy irá libertá-la hoje! Sustenho a respiração enquanto ela vira a caixa gentilmente, de forma à coruja pousar no chão da gaiola. A Fogo dá um salto e voa, forte e bonita.
Contudo, de repente, inclina-se para o lado e começa a descer. Embora tenha os olhos bem fechados, consigo ouvir o baque suave da sua aterragem desajeitada. E quando abro os olhos, vejo Miss Sandy a abanar a cabeça. Dou-me conta, de repente, de que a Fogo nunca será libertada. Não tem a asa suficientemente forte para sobreviver na floresta.
— Pobre Fogo — lamenta Miss Sandy. — Queria tanto ser livre!
Viro-me para que ela não veja as lágrimas no meu rosto. Sei muito bem o que é ter um desejo que não se pode realizar.
Depois desse dia, a luz dos olhos da Fogo apaga-se. Recusa a comida e nem sequer tenta sair da gaiola.
— Por favor, não desistas! — sussurro-lhe.
Mas ela continua imóvel como uma estátua, em cima do poleiro.
Deve haver uma forma de ajudar esta coruja. Procuro, no computador, informação sobre aves feridas. Deparo com um corujão-orelhudo quase cego que toma conta de corujinhas órfãs até estas terem idade para serem libertadas. Talvez a Fogo consiga fazer o mesmo. Imprimo a informação e mostro-a a Miss Sandy, que diz:
— Vale a pena tentar. Tenho três crias que ficaram órfãs na tempestade da semana passada.
Miss Sandy põe as três crias na gaiola da Fogo. As corujinhas balançam as cabecinhas e emitem uns pios engraçados. Mas a Fogo não parece interessada em crias esfomeadas ou no que quer que seja.
Como não suporto vê-la tão infeliz, decido ficar em casa alguns dias, cheio de tristeza por ela e por mim. Uma noite, Miss Sandy toca à nossa porta e entra de rompante.
— Vem comigo, Nathan! — pede. — Tens de ver a Fogo!
Antes de me aperceber do que está a acontecer, já Miss Sandy conduz a minha cadeira aos tropeções até casa dela. Finalmente, estaciona-me junto da gaiola da Fogo.
— Olha! — sussurra.
Nem posso acreditar no que vejo. A Fogo pega num pedaço de carne que estava no chão e leva-o, aos saltos, até à gaiola-ninho, onde o depõe no bico de uma das crias. Embora o seu desejo de ser livre não possa realizar-se, a coruja encontrou algo de importante para fazer. E isso dá-me uma ideia!
No dia seguinte, vou até casa de Miss Sandy e olho para o pátio. Posso não poder andar sozinho, mas vou encontrar uma forma de a ajudar nas suas tarefas! Sei que os baldes são demasiado pesados; contudo, posso encher as tinas de banho das aves com a mangueira. Demoro bastante tempo a desdobrá-la e a arrastá-la até cada uma das gaiolas. Mas não desisto até as tinas estarem todas cheias.
Quando vejo a carrinha do correio a aproximar-se, vou até ao fim da alameda e recebo a correspondência para Miss Sandy. Enfio as cartas no bolso do meu casaco e levo-as até casa dela. Quando são horas de alimentar os pássaros, ofereço-me para ficar no escritório a atender os telefonemas. O telefone toca quatro vezes e anoto os recados.
Antes de ir-me embora, Miss Sandy abraça-me e diz:
— Ajudaste-me muito hoje, Nathan.
Fico corado e baixo a cabeça. Mas sorrio. Agora sei o quão orgulhosa a Fogo se sente!
Laurie Lears
Nathan’s wish: a story about cerebral palsy
Illinois, Albert Whitman & Co, 2005
(Tradução e adaptação)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ano Internacional da Química 2011


Em resultado da reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), que decorreu de 31 de julho a 6 de agosto de 2009, em Glasgow, na Escócia-Reino Unido, proclamou-se 2011 como o Ano Internacional da Química, sob o tema “Química - a nossa vida, o nosso futuro”. A agenda de comemorações será organizada pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os dias 27 e 28 de janeiro de 2011, foram a data escolhida para a abertura oficial desta celebração, em Paris, sede da UNESCO.
O objetivo do Ano Internacional da Química é celebrar as contribuições da Química para o bem-estar da humanidade. A química é fundamental para a nossa compreensão do mundo e do cosmos. As transformações moleculares são centrais para a produção de alimentos, medicina, combustíveis e inúmeros produtos manufaturados e naturais. A programação do Ano Internacional da Química também será inserida nas atividades da Década da Educação e do Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), estabelecida pela UNESCO. Assim, as atividades programadas para 2011 darão ênfase à importância da química para os recursos naturais sustentáveis. Além disso, no ano 2011 comemora-se o 100º aniversário do Prémio Nobel em Química para Marie Sklodowska Curie, o que, de acordo com os organizadores, motivará uma celebração pela contribuição das mulheres para a ciência.
Em Portugal os objetivos do AIQ2011 são aumentar o reconhecimento público da química, na satisfação das necessidades do mundo, incentivar o interesse na química entre os jovens, e gerar entusiasmo para o futuro criativo da química.
Os eventos do AIQ 2011 irão provar que a química é uma ciência criativa essencial para a sustentabilidade e para as melhorias no nosso modo de vida. Atividades, como palestras e experiências, irão explorar como a investigação química é fundamental para resolver problema globais mais críticos, envolvendo alimentos, água, saúde, energia, transportes e muito mais.
Além disso, o AIQ ajudará a reforçar a cooperação internacional, servindo como fonte de informação para as atividades das sociedades científicas nacionais, instituições de ensino, indústria, governo e organizações não-governamentais.
O Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra decidiu organizar um programa com um conjunto próprio de iniciativas que designou QUI365 (365 dias com a Química). A primeira ação desta iniciativa foi a promoção dum concurso aberto aos alunos do ensino secundário com o objetivo de selecionar um logótipo para o programa QUI365. Este concurso terminou no passado dia 4 de Junho, sendo recebidas candidaturas de escolas de todo o país. A candidatura vencedora foi a de João Pedro Brinquete Cotovio, aluno do 10º ano, da Escola Secundária Pública Hortênsia de Castro, de Vila Viçosa.

O ÚLTIMO BESTSELLER DE JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

O Último Segredo

Sinopse
Uma paleógrafa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver.
A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajuda-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia.
Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento. A verdadeira identidade de Cristo.
Baseando-se em informações históricas genuínas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra excepcional como o grande mestre do mistério. Mais do que um notável romance, O Último Segredo desvenda-nos a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras.

Cacia, novembro de 2011
O Professor Bibliotecário
Jorge Monteiro

Medições científicas põem em causa a teoria de Einstein

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2014712

Carro que "anda sozinho e detecta os peões" mostrado hoje

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2142750&seccao=Tecnologia

FRASE DO DIA

"Aproveitar um bom conselho requer mais sabedoria do que dá-lo."
John Collins

Neutrinos voltam a ultrapassar a velocidade da luz

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2134487

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CONTO CHINÊS

Pauzinhos de marfim
Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:
— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!
O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava a sério ou se estava a brincar. Mas o pai continuou:
— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não ligam com a loiça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera.
Irás precisar de fatos de seda e palácios sumptuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.
O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado pela sua grande sensatez.

Conto do filósofo chinês Han Fei,
 oito séculos antes da nossa era.

FRASE DO DIA

"O homem mais feliz é o que acredita sê-lo."

CONCURSO DE NATAL

terça-feira, 15 de novembro de 2011

FRASE DO DIA

"Ambição é apenas vaidade enobrecida."
Jerome Jerome                                                       

UMA AVENTURA NA CASA ASSOMBRADA

http://www.youtube.com/watch?v=Z8mBfcgp2sg&feature=player_embedded

UMA AVENTURA NA CASA ASSOMBRADA EM DVD

Uma casa, um tesouro, um mistério, mil fantasmas.
E um grupo de jovens heróis dispostos a tudo para
ajudar uma jovem princesa amaldiçoada
Cacia, novembro de 2011
O Professor Bibliotecário
Jorge Monteiro

A MELODIA DO AMOR DE LESLEY PEARSE

UMA HISTÓRIA DE AMOR INCONDICIONAL
 E CORAGEM SEM LIMITES.
Cacia, novembro de 2011
O Professor Bibliotecário
Jorge Monteiro

Cabra dá nas vistas a fazer surf na Califórnia

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2121317&seccao=EUA e Am%E9ricas

31 baleias mortas na Nova Zelândia

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2123858&seccao=Biosfera

750 orangotangos mortos no período de um ano

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2121243&seccao=Biosfera

Descobertas ruínas de civilização antiga no deserto líbio

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2122880

Lava-loiça ecológico separa gordura para produzir biodiesel

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2122234

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

DIA DE S. MARTINHO - 11/11/11

S. MARTINHO

Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar da Itália para a sua terra, algures em França.
Montado no seu cavalo estava a passar num caminho para atravessar uma serra muito alta, chamada Alpes, e,lá no alto, fazia muito, muito frio, vento e mau tempo.
Martinho estava agasalhado normalmente para a época: tinha uma capa vermelha, que os soldados romanos normalmente usavam.
De repente, aparece-lhe um homem muito pobre, vestido de roupas já velhas e rotas, cheio de frio que lhe pediu esmola.
Infelizmente, Martinho não tinha nada para lhe dar. Então, pegou na espada, levantou-a e deu um golpe na sua capa. Cortou-a ao meio e deu metade ao pobre.
Nesse momento, de repente, as nuvens e o mau tempo desapareceram. Parecia que era Verão!
Foi como uma recompensa de Deus a Martinho por ele ter sido bom.
É por isso que todos os anos, nesta altura do ano, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo fica melhor e mais quente: é o Verão de São Martinho.



Rinoceronte-negro extinguiu-se na África Ocidental

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Múmia de museu de Lisboa única no mundo com cancro

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ADN confirma cavalos pré-históricos às pintas

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O Presente do Povo Pequeno

Um alfaiate e um ourives viajavam juntos.
Certo dia, ao crepúsculo, ouviram à distância o som de música. Caminharam mais rapidamente e a melodia foi-se fazendo ouvir, cada vez mais alegre. Esqueceram todo o cansaço da jornada e apressaram-se, para ver de onde vinha.
A lua já se erguera, quando os dois caminhantes alcançaram uma colina, de onde divisaram uma porção de pequenos homens e mulheres. Davam-se as mãos e rodopiavam com grande alegria, numa farândola animada. Cantavam ao mesmo tempo uma linda melodia. No meio da reunião, estava sentado um velho, um pouco mais alto que os demais, e cuja longa barba branca se espalhava pela frente do seu casaco colorido. Os dois companheiros estacaram e contemplaram a festa, cheios de admiração. O velho fez-lhes sinal para entrarem também na roda, enquanto o povo pequeno abria, prazenteiramente, a roda, para dar lugar a ambos.
O ourives, mais expansivo, aceitou de imediato. O alfaiate, tímido, hesitou um pouco, mas vendo como era divertido, acabou por aderir também. A roda fechou-se, novamente, e todos dançaram e pularam, com gritos de alegria. O velho, tomando uma faca que trazia à cintura, amolou-a, olhando para os dois viajantes. Estes assustaram-se, porém não tiveram tempo de tomar qualquer atitude. O velho, agarrando o ourives, escanhoou-lhe, com grande rapidez, o cabelo e a barba. A mesma coisa sucedeu ao alfaiate.
O medo dos dois desapareceu, quando o velho, ao terminar, lhes deu uma amistosa palmadinha nas costas, como se quisesse dizer-lhes que haviam agido acertadamente, ao deixarem que lhes fosse cortado o cabelo e barba. Mostrou-lhes, depois, por gestos, um monte de carvão, mandando-os encherem os bolsos. Obedeceram, embora sem compreenderem, e foram à procura de um lugar para passar aquela noite. Ao chegarem à planície, ouviram o relógio de um convento próximo bater a meia-noite. No mesmo instante, o canto parou e tudo desapareceu, ficando apenas uma colina deserta ao luar.
Os dois caminhantes acharam um lugar coberto de palha, onde se deitaram, esquecendo-se de tirar dos bolsos os pedaços de carvão, tão cansados estavam. Um peso desacostumado fê-los acordar mais cedo, enfiaram as mãos nos bolsos para deles tirar o carvão, mas, com grande espanto, encontraram, em lugar dele, pedaços de ouro. Agora podiam considerar-se ricos. Felizmente, o cabelo e a barba já haviam crescido. Todavia, existe gente por demais ambiciosa e, entre essa, estava o ourives. Lamentou não ter enchido mais os bolsos, assim teria o dobro do que coubera ao alfaiate. O ourives, ávido de mais ouro, propôs ao alfaiate pernoitarem mais uma vez naquela região, para voltarem a ver o povo pequeno e o velho no outeiro. O alfaiate declarou:
— Já tenho o bastante e estou satisfeito! Agora vou poder casar-me e ser um homem feliz.
Mas estava pronto a esperar mais um dia pelo companheiro.
À noite, o ourives pendurou mais algumas bolsas à cintura e pôs-se a caminho do outeiro. Encontrou, como na noite anterior, todo o pequeno povo a cantar e a dançar, e o velho cortou-lhe barba e cabelo e fez-lhe sinal para que fosse buscar os pedaços de carvão. O ourives não teve dúvidas de embolsar tudo quanto cabia nos seus muitos bolsos e voltou, todo feliz; cobriu-se com o casaco e ferrou no sono. “Tanto se me dá que o ouro pese”, pensou. “Suportarei tudo de bom grado.” Adormeceu com a deliciosa antecipação de acordar milionário.
Ao abrir os olhos, levantou-se apressado, para examinar os bolsos. Mas ficou abismado quando apenas retirou deles pedaços de carvão. Decepcionado, consolou-se, pensando que lhe sobraria pelo menos o ouro ganho na noite anterior. Mas ficou apavorado quando viu também aquele transformado em carvão. Inadvertidamente, bateu com a mão na cabeça e sentiu-a lisa e calva, e assim estava o seu rosto. Reconheceu, então, tratar-se de um castigo pela sua ambição.
Enquanto isso, o alfaiate acordara e agora consolava do melhor modo possível o companheiro, banhado em lágrimas de desespero.
— És meu companheiro de viagem e amigo; vais ficar comigo e gozaremos juntos da minha fortuna.
Manteve a palavra, mas o pobre do ourives teve de esconder, dentro de gorros, a sua cabeça calva, durante toda a vida.

Marie Tenaille (org.)
O meu livro de contos
Porto, Asa Editores, 2001

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Kiribati: Presidente admite mover país para ilha artificial

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1982713&seccao=Biosfera

Fissura vai criar icebergue do tamanho de Nova Iorque

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2100665&seccao=Biosfera

Frase do Dia

"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade."   
Albert Camus
Software Inovador ajuda Pessoas com Dificuldade na Leitura e Escritura



A deficiência visual está associada a indivíduos que revelam défice visual, e que na maioria das vezes são apoiados na leitura com caracteres impressos, utilizando auxiliares óticos.
ClaroRead é um software revolucionário que permite melhorar a capacidade de aprendizagem dos alunos e acrescentar valor aos dispositivos tecnológicos de hardware presentes na sala de aula.
A visão permite-nos unificar de forma rápida e continua a informação recebida pelos outros sentidos. Os olhos vêem as imagens que irão ser processadas no cérebro. A visão pode estar total ou parcialmente afectada, o que origina ausência ou dificuldade de processamento da informação visual. O ClaroRead através da sua funcionalidade de leitura de documentos digitais garante que toda a turma se concentre no que se está a passar no quadro interativo, nas atividades que se estão a realizar, e permite de forma simultânea a visualização do texto escrito e a escuta do mesmo.

Editorial, 2 de novembro 2011
(adaptado)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Antoine de Saint-Exupéry

Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção."

Homem moderno ajudou à extinção de mamíferos do gelo

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2097134
O JARDINEIRO E O SENHOR

A uma milha de distância da capital havia um velho solar com grossas paredes, torres e empenas entalhadas.
Ali vivia, apenas no tempo de Verão, uma família nobre e rica. Era o solar mais rico e mais bonito de todos os que possuía. De fora, parecia novo; e por dentro tinha todo o conforto possível. O brasão da família exibia-se esculpido junto do portão, e à volta das suas armas e do balcão da janela de sacada enroscavam-se magníficas rosas. Um grande tapete de relva estendia-se diante da casa. Podia ver-se também aí espinheiros vermelhos e brancos, e outras flores raras, não contando com as que se encontravam nas estufas.
O proprietário do solar tinha um jardineiro muito competente e dava prazer ver o jardim, o pomar e a horta. Um pouco mais acima, havia ainda um resto do primitivo domínio senhorial, com arbustos, combinados e aparados de modo a formarem coroas e pirâmides. Por detrás dos arbustos erguiam-se duas grandes árvores muito antigas. Estavam quase sempre sem folhas, e ao vê-las, parecia que um vento tempestuoso ou uma tromba de água as havia coberto de grandes torrões, mas cada um desses torrões era nem mais nem menos do que um ninho.
Aí morava desde tempos imemoriais um bando de gralhas e corvos ruidosos. Verdadeira cidade de aves, elas eram as donas, as proprietárias, as verdadeiras senhoras do domínio. Indiferentes aos seres humanos, cá em baixo, toleravam essas criaturas que andavam pelo chão, embora entre elas algumas houvesse que disparavam espingardas, o que lhes fazia sentir um arrepio na espinha, obrigando-as a fugir com medo, gritando «cra, cra,».
O jardineiro sugerira muitas vezes ao senhor mandar deitar abaixo as velhas árvores, que não davam bom aspecto e que, além disso, sendo abatidas, o livrariam provavelmente das barulhentas aves, que iriam procurar outro pouso. O senhor, porém, não queria desfazer-se nem das árvores nem do bando de aves. Era algo que fazia parte do seu domínio, algo dos velhos tempos e, portanto, não deveria ser destruído.
— As árvores são herança das aves, deixa-as estar, meu bom Larsen! Não tens, amigo Larsen, espaço suficiente para te estenderes? Todo o jardim, as estufas, o pomar e a horta?
Tudo isso o jardineiro possuía, na verdade, e bem o cuidava, preparava e tratava com zelo e competência, o que era reconhecido pelo senhor, que não se coibia, contudo, de dizer diante dele que em casa de outras pessoas havia comido frutas e visto flores que superavam as do seu domínio. Afligia deste modo o jardineiro, que queria sempre fazer melhor e conseguia-o. Era um homem tão bom de coração como de ofício.
Um dia, o senhor mandou-o chamar e disse-lhe, com afáveis modos senhoriais, que, na véspera, em casa de uns ilustres amigos, havia provado maçãs e pêras tão sumarentas e saborosas que ele e todos os convidados não puderam deixar de expressar a sua admiração. Os frutos não eram certamente do país, mas podiam ser importados e aclimatados se as condições o permitissem. Sabia-se que tinham sido comprados na melhor frutaria da cidade; o jardineiro deveria lá ir e procurar saber de onde tinham vindo aquelas maçãs e pêras, para depois mandar vir os enxertos. O jardineiro conhecia bem o dono da frutaria. Era precisamente a ele que, por conta do senhor, vendia as sobras das frutas cultivadas no pomar.
Tomou assim o caminho da cidade para perguntar ao dono da frutaria de onde recebia aquelas maçãs e peras tão apreciadas.
— São do teu próprio pomar! – declarou o dono da frutaria, que lhas mostrou, e foram por ele reconhecidas.
Como ficou contente o jardineiro! Correu logo para o senhor a contar-lhe que tanto as pêras como as maçãs eram do seu pomar. O senhor não queria crer.
— Não é possível, Larsen! Poderás arranjar uma declaração escrita do dono da frutaria?
Larsen voltou com a declaração pedida.
— É estranho! – exclamou o senhor.
Então, passaram a vir para a mesa do senhor, todos os dias, grandes açafates com aquelas belas pêras e maçãs do seu próprio pomar, que foram também enviadas aos quintais e às toneladas para os amigos da cidade e de fora, e até mesmo para o estrangeiro. Eram, na realidade, maravilhosas! Contudo, deve ter-se também em conta que haviam sido dois anos extraordinariamente bons para as árvores de fruto, não só ali como em todo o país.
Decorreu algum tempo. Um dia, o senhor foi convidado para um jantar na corte. No dia seguinte, chamou o jardineiro. Tinham servido na corte uns melões muito sumarentos e saborosos, das estufas de Sua Majestade!
— Tens de procurar o jardineiro da corte, meu bom Larsen, para que nos arranje algumas sementes desses preciosos melões!
— Mas foi de nós que ele as recebeu! – respondeu o jardineiro todo contente.
— Então soube tratá-los muito bem para que ficassem assim tão bons – retorquiu o senhor. — São excelentes, esses melões!
— Bem posso sentir-me orgulhoso! – disse Larsen. — Devo esclarecer Sua Excelência que o jardineiro não teve sorte com os melões este ano e, quando viu como os nossos eram bonitos e os provou, mandou que lhe enviássemos três para o palácio!
— Larsen! Não vás agora imaginar que eram precisamente os melões da nossa quinta!
— Creio bem que sim! – respondeu Larsen, que foi depois procurar o jardineiro do palácio e dele recebeu uma declaração escrita de como os melões servidos na mesa real haviam vindo do pomar do senhor.
Isto, naturalmente, foi uma surpresa para o senhor, que não ocultou o que se havia passado, exibiu a quem o quis o atestado do jardineiro e assim passaram a ser enviadas sementes de melão para toda a parte, bem como enxertos, na devida altura. Foram depois recebidas notícias de que tinham sido muito apreciados, que haviam dado magníficos frutos e recebido o nome do pomar do senhor, o qual podia agora ser lido em inglês, alemão e francês.
O senhor nunca antes havia pensado nisso.
— Que não vá agora o jardineiro dar-se ares de importância por causa disso! – comentou o senhor.
Mas foi de outro modo que o jardineiro encarou as coisas.
O que desejava era apenas esforçar-se por ganhar nome como um dos melhores jardineiros do país, procurando, todos os anos, produzir alguma coisa ainda melhor, de entre as espécies cultivadas no pomar, o que conseguia. Porém, ouvia frequentemente dizer que, de todos os frutos de primeira qualidade que havia cultivado, as maçãs e as pêras haviam sido realmente os melhores; todos os outros lhe eram inferiores. Os melões tinham sido bons, mas eram de uma qualidade à parte; os morangos podiam considerar-se admiráveis, mas não, contudo, melhores do que os das outras quintas; e quando os rábanos um ano não saíram bons, então só se falou daqueles desafortunados rábanos e não de tudo o mais que de bom fora produzido. Era quase como se o senhor sentisse prazer em dizer:
— Este ano vai ser mau, amigo Larsen!
Parecia sentir uma grande alegria em exclamar:
— Não, este ano não dá nada!
Algumas vezes por semana, o jardineiro trazia flores frescas para a casa do senhor, sempre dispostas com muito gosto, e de tal modo as combinava que as cores ficavam realçadas.
— Tens bom gosto, Larsen! – dizia o senhor. — É um dom que Nosso Senhor te deu e não propriamente teu!
Um dia, o jardineiro trouxe uma grande taça de cristal na qual colocara uma pétala de açucena aquática branca e, sobre ela, com o longo e grosso caule mergulhado na água, uma admirável flor azul, do tamanho de um girassol.
— O lótus do Indostão! – exclamou o senhor, quando a viu.
Nunca vira uma flor assim. Durante o dia foi colocada ao sol e, à noite, sob a luz reflectida duma lâmpada. Todos os que a observaram a acharam extraordinariamente bela e rara. Foi isso que declarou uma das primeiras damas do país, uma princesa inteligente e bondosa.
Sua Senhoria considerou uma honra presenteá-la com a flor, e assim foi levada para o Palácio Real.
Desceu depois o senhor ao jardim para colher ele próprio uma outra flor igual, se ainda houvesse, mas nenhuma encontrou. Chamou então o jardineiro e perguntou-lhe onde havia colhido o lótus azul:
— Procurámos em vão! – disse ele. — Estivemos nas estufas e percorremos todo o jardim!
— Pois não está propriamente ali – respondeu o jardineiro. — É uma simples e vulgar flor da horta. Mas não é verdade que é muito bonita? Parece um cacto azul e, contudo, outra coisa não é senão a flor da alcachofra!
— Devias ter-nos dito isso logo – retorquiu o senhor. — Pensávamos que era uma flor exótica, rara. Obrigaste-nos a fazer má figura diante da jovem princesa! Viu a flor em nossa casa, achou-a muito bonita e não a reconheceu, embora seja forte em botânica; mas esta ciência, claro está, nada tem com as hortaliças. Como te ocorreu, bom Larsen, trazer uma flor dessas para minha casa? Obrigaste-nos a ser ridículos!
A bonita e radiosa flor azul apanhada na horta foi retirada da casa do senhor, da qual não era digna. Sua Senhoria apresentou as suas desculpas à princesa, explicando que a flor era simplesmente uma planta da horta que o jardineiro trouxera para mostrar, e que este havia recebido por isso séria admoestação.
— Pois é pena e é injusto! – retorquiu a princesa. — Abriu-nos os olhos para uma flor magnífica de que não nos tínhamos apercebido, mostrou-nos a beleza onde devíamos tê-la procurado! Darei ordem para que o jardineiro do palácio me traga todos os dias uma flor dessas, enquanto florirem as alcachofras.
E assim aconteceu.
Sua Senhoria mandou dizer ao jardineiro que podia tornar a trazer-lhe uma flor de alcachofra fresca.
— No fundo, é bonita! – disse ele. — Muito curiosa!
E fez do jardineiro o elogio seguinte:
— Larsen ficará contente com isso! – disse Sua Senhoria. — É uma criança mimalha.
No Outono, houve uma terrível tempestade. Rebentou de noite e tão violentamente que muitas das árvores grandes na orla do bosque foram arrancadas pela raiz e entre elas, com grande pesar de Sua Senhoria (foram as suas palavras), mas com alegria para o jardineiro, foram derrubadas as duas grandes árvores com todos os ninhos. Ouviram-se no meio da tempestade os gritos dos corvos e das gralhas, que tinham batido com as asas nas vidraças das janelas, afirmava a gente de casa.
—Estás satisfeito agora, Larsen? – perguntou Sua Senhoria. —A tempestade derrubou as árvores e as aves fugiram para o bosque. O jardim já não tem o aspecto dos velhos tempos. Tudo o que fazia recordar o passado desapareceu! Tive realmente muita pena!
O jardineiro nada disse, mas logo pensou no que andava a magicar há tanto tempo: utilizar o belo campo soalheiro de que antes não podia dispor e transformá-lo num adorno do jardim e num objecto de prazer para Sua Senhoria.
As grandes árvores derrubadas haviam destroçado e despedaçado as antiquíssimas sebes de buxo talhadas em figuras. Aí plantou arbustos e plantas dos campos e dos bosques da região. Aquilo que nenhum outro jardineiro antes pensara quanto à rica variedade de plantas do jardim do senhor, fê-lo ele, dispondo-as na terra adequada, ao sol ou à sombra, conforme as necessidades de cada espécie. Cuidou-as com todo o carinho e elas cresceram magníficas.
Os zimbros da Jutlândia desenvolveram-se em forma e cor como se fossem ciprestes italianos. O azevinho brilhante e espinhoso, sempre verde com o frio do Inverno ou com o sol do Verão, era digno de se ver. Na sua frente havia fetos de diversas espécies, alguns pareciam filhos das palmeiras, e outros, pais da bela e fina planta a que chamamos adianto.
Estava ali também a bardana desdenhada, tão bonita na sua frescura, que podia ser colhida para um ramalhete. A bardana estava em terra seca, mas mais profunda. Em terra húmida cresciam as azedas, uma planta também desprezada e, contudo, tão pitoresca e bonita na sua altura imponente, e com as suas grandes folhas. Esbelta, com vários troncos, flor contra flor, como um grande candelabro de muitos braços, erguia-se a candelária, transplantada para aquele local.
Ali se encontravam também as aspérulas, as primaveras e os lírios do bosque, o esparto silvestre e as finas azedas do bosque, de três folhas. Era realmente digno de se ver. Diante, alinhadas por detrás de uma vedação de arame, cresciam pequeníssimas pereiras de procedência francesa. Com bom sol e bom tratamento, em breve deram frutos grandes e sumarentos, como na terra de onde provinham.
Em lugar das duas velhas árvores desfolhadas, foram colocados um alto pau de bandeira onde ondeava o «Danebrog» e, próximo, outro poste onde, no Verão e no Outono, se enroscavam as ramadas do lúpulo com as flores odoríferas em cone, mas onde também no Inverno, segundo um velho costume, era suspensa uma gamela com aveia para que as aves tivessem de comer na época festiva do Natal.
— O bom Larsen está a tornar-se sentimental com a idade! – disse Sua Senhoria. — Mas é-nos, na verdade, muito fiel e afeiçoado!
No Ano Novo, uma revista ilustrada da capital apresentou uma gravura do antigo solar. Nela via-se o pau de bandeira e a gamela de aveia para as aves. Comentava-se e apontava-se também a ideia excelente de o velho costume ter sido preservado e honrado de um modo tão significativo, precisamente no antigo solar.
— Tudo o que Larsen faz – declarou Sua Senhoria – é apregoado a todos os ventos. É um homem com sorte! Quase me sinto orgulhoso de o ter ao meu serviço.
Mas não era orgulho o que sentia!
Sabia que era o senhor, que podia despedi-lo, o que não fazia, é claro, por ser boa pessoa; e nesta classe há muitas boas pessoas, o que é também uma sorte para todos os Larsens.

Hans C. Andersen
Histórias e contos completos II
V.N. Gaia, Edições Gailivro, 2005
(Adaptação)