DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA BIBLIOTECA ESCOLAR DE CACIA
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
SERÁ QUE AS BRUXAS TÊM BOM GOSTO?
O gosto das bruxas
Era uma vez uma menina que estava presa na torre mais alta de um castelo.
Ela era uma princesa, mas não lhe valia de nada, porque perdera os seus pais e o reino, numa guerra que o dono do castelo, já se vê, é que ganhara.
Ainda era o tempo das fadas. Por isso a menina disse, para que as paredes ouvissem:
— Se uma fada me salvasse, fosse boa, má ou assim-assim, eu repartia a meias com ela o tesouro do meu perdido reino, que só eu sei onde está enterrado.
As paredes toda a gente diz que têm ouvidos. Estas ouviram, passaram palavra e daí a nada uma velha fada apareceu na sala.
— Vou dar volta à tua vida — disse a fada.
— És uma fada boa? — perguntou a menina.
— Nem por isso — respondeu a fada.
Era uma fada assim-assim e para provar que não era das melhores, mas também não era das piores, impôs, à partida, uma condição. Salvava a menina, mas, antes, ela tinha de adivinhar-lhe o nome. E avisou logo que não tinha um nome muito mimoso.
— Serafina — disse a menina.
Nem pensar. Não era Serafina nem Leopoldina nem Marcolina. Nem Eufrásia nem Tomásia. Nem Quitéria nem Pulquéria. Nem Aniceta nem Eustáquia nem Teodósia nem Venância nem Bonifácia nem Gregória. Nem sequer Capitolina.
A princesa esgotou os nomes mais esquisitos que conhecia. E a fada sempre com a cabeça a dizer que não. Até que propôs o seguinte negócio:
— Salvo-te, mesmo que não descubras o meu nome, mas fico com o tesouro só para mim. Todinho!
A menina concordou. Não tinha outro remédio. Vai daí a fada pronunciou umas palavras mágicas e ela e a princesa atravessaram as paredes da prisão.
Uma vez em liberdade, a princesa ensinou o local onde estava escondido o tesouro e pronto, a história acaba aqui.
E o nome da fada-bruxa?
Também a menina quis saber.
— Chamo-me Joaninha — respondeu a fada-bruxa, baixando os olhos, envergonhada.
— Mas Joaninha é um nome bonito — estranhou a princesa.
— Eu não acho — disse ela. — Gostava mais de ser Virgolina Zebedeia.
Vá lá a gente entender o gosto das bruxas.
António Torrado
SUGESTÕES PARA A ESTRUTURA DE UM TRABALHO ESCRITO
A- PARTES DO TRABALHO
1) Capa
2) Página de rosto
3) Página com agradecimentos (opcional)
4) Sumário
5) Introdução
6) Desenvolvimento (corpo do trabalho)
7) Conclusão
8) Bibliografia
9 Índice (opcional)
10) Anexos
11) Contra-capa
B- APRESENTAÇÃO DO TRABALHO
1- Usar folhas brancas de formato A4;
2) Escrever apenas de um dos lados da folha;
3) Colocar títulos e subtítulos de uma forma saliente e numerados;
4) Numerar as páginas;
5) Numerar e legendar as figuras;
6) Colocar capas protetoras no trabalho
1) Capa
2) Página de rosto
3) Página com agradecimentos (opcional)
4) Sumário
5) Introdução
6) Desenvolvimento (corpo do trabalho)
7) Conclusão
8) Bibliografia
9 Índice (opcional)
10) Anexos
11) Contra-capa
B- APRESENTAÇÃO DO TRABALHO
1- Usar folhas brancas de formato A4;
2) Escrever apenas de um dos lados da folha;
3) Colocar títulos e subtítulos de uma forma saliente e numerados;
4) Numerar as páginas;
5) Numerar e legendar as figuras;
6) Colocar capas protetoras no trabalho
AFINAL ATÉ AS BRUXAS GOSTAM DE DOCES!
Uma guloseima para a Noite das Bruxas
O saco das guloseimas estava pronto e sentia-me ansiosa por ver chegar as crianças marotas. Mas, na manhã da Noite das Bruxas tive um ataque de artrite muito forte e, à tardinha, mal me conseguia mexer. Como sabia que ia ser difícil atender todas as vezes que batessem à porta, decidi deixar o saco pendurado da parte de fora da porta e ver, na sala às escuras, o desfile das crianças mascaradas.
A primeira a chegar foi uma bailarina com três fantasminhas. Cada um pegou numa guloseima, excepto o último, que tirou do saco uma mão cheia. Foi então que ouvi a bailarina ralhar: “Não podes tirar mais do que uma!” Fiquei contente por a criança mais velha agir como se fosse a consciência do pequeno.
Seguiram-se princesas, astronautas, esqueletos e extraterrestres. Apareceram mais crianças do que as de que eu estava à espera. Como as guloseimas estavam a acabar, preparei-me para desligar a luz da entrada. Detive-me ao reparar que tinha mais quatro visitas. Os três mais velhos meteram a mão no saco e retiraram um chocolate cada. Sustive a respiração, esperançada de que ainda restasse um para uma bruxinha. Mas, quando ela retirou a mão, tudo o que segurava era apenas uma simples goma de laranja.
Os outros chamaram:
— Emily, despacha-te! Não há ninguém em casa para te dar mais guloseimas.
Mas Emily deixou-se ficar mais um pouco. Meteu a goma no saco e, imóvel, ficou a olhar para a porta. Depois, disse:
— Obrigada, casa. Gosto muito da goma de laranja.
E correu a juntar-se aos companheiros.
Uma bruxinha querida tinha-me lançado um feitiço.
Evelyn M. Gibb
J. Canfield; M. V. Hansen; J. Read Hawthorne; M. Shimoff
Second Chicken Soup for the Woman’s Soul
Florida, HCI, 1998
(Tradução e adaptação)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O CAÇADOR DE BORBOLETAS
O caçador de borboletas
Vladimir recebeu muitas prendas no Natal, entre livros, discos, legos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com o fundo de cortiça, e alfinetes coloridos. O pai explicou-lhe que a caixa servia para guardar as borboletas. Matam-se as borboletas com o éter, espetam-se na cortiça, de asas estacadas, e dessa forma, mesmo mortas, elas duram muito tempo. É assim que fazem os coleccionadores.
Aquilo deixou-o entusiasmado. Ele gostava de insectos mas não sabia que era possível coleccioná-los, como quem colecciona selos, conchas ou postais, talvez até trocar exemplares repetidos com os amigos.
Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas.
Foi para o matagal junto ao rio, atrás de casa, um lugar onde se juntavam insectos de todo o tipo. Já tinha apanhado cinco borboletas que guardara dentro do frasco de vidro, quando ouviu alguém cantar com uma voz de algodão doce – uma voz tão doce e tão macia que ele julgou que sonhava. Espreitou e viu uma linda borboleta, linda como um arco-íris, mas ainda mais colorida e luminosa.
Sentiu o que deve sentir em momentos assim todo o caçador: sentiu que o ar lhe faltava, sentiu que as mãos lhe tremiam, sentiu uma espécie de alegria muito grande. Lançou a rede e viu a borboleta soltar-se num voo curto e depois debater-se, já presa, nas malhas de nylon. Passou‑a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.
— Agora és minha — disse-lhe. — Toda a tua beleza me pertence.
A borboleta agitou as asas muito levemente e ele ouviu a mesma voz que há instantes o encantara:
— Isso não é possível — era a borboleta que falava. — Sabes como surgiram as borboletas? Foi há muito, muito tempo, na Índia. Vivia ali um homem sábio e bom, chamado Buda…
Vladimir esfregou os olhos:
— Meu Deus! Estou a sonhar?
A borboleta riu-se:
— Isso não tem importância. Ouve a minha história. Buda, o tal homem sábio e bom, achou que faltava alegria ao ar. Então colheu uma mão cheia de flores e lançou-as ao vento e disse: “Voem!”. E foi assim que surgiram as primeiras borboletas. A beleza das borboletas é para ser vista no ar, entendes? É uma beleza para ser voada.
— Não! — disse Vladimir abanando a cabeça. — Eu sou um caçador de borboletas. As borboletas nascem, voam e morrem e se não forem coleccionadores como eu, desaparecem para sempre.
A borboleta riu-se de novo (um riso calmo, como um regato correndo, não era um riso de troça):
— Estás enganado. Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
Vladimir começava a achar que ela tinha razão.
— Se eu te libertar agora — perguntou — tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminando o frasco com uma luz de todas as cores.
— Já sou tua — disse — e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçadores de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
— Muito boa — disse. — Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo.
Vladimir recebeu muitas prendas no Natal, entre livros, discos, legos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com o fundo de cortiça, e alfinetes coloridos. O pai explicou-lhe que a caixa servia para guardar as borboletas. Matam-se as borboletas com o éter, espetam-se na cortiça, de asas estacadas, e dessa forma, mesmo mortas, elas duram muito tempo. É assim que fazem os coleccionadores.
Aquilo deixou-o entusiasmado. Ele gostava de insectos mas não sabia que era possível coleccioná-los, como quem colecciona selos, conchas ou postais, talvez até trocar exemplares repetidos com os amigos.
Nessa mesma tarde saiu para caçar borboletas.
Foi para o matagal junto ao rio, atrás de casa, um lugar onde se juntavam insectos de todo o tipo. Já tinha apanhado cinco borboletas que guardara dentro do frasco de vidro, quando ouviu alguém cantar com uma voz de algodão doce – uma voz tão doce e tão macia que ele julgou que sonhava. Espreitou e viu uma linda borboleta, linda como um arco-íris, mas ainda mais colorida e luminosa.
Sentiu o que deve sentir em momentos assim todo o caçador: sentiu que o ar lhe faltava, sentiu que as mãos lhe tremiam, sentiu uma espécie de alegria muito grande. Lançou a rede e viu a borboleta soltar-se num voo curto e depois debater-se, já presa, nas malhas de nylon. Passou‑a para o frasco e ficou um longo momento a olhar para ela.
— Agora és minha — disse-lhe. — Toda a tua beleza me pertence.
A borboleta agitou as asas muito levemente e ele ouviu a mesma voz que há instantes o encantara:
— Isso não é possível — era a borboleta que falava. — Sabes como surgiram as borboletas? Foi há muito, muito tempo, na Índia. Vivia ali um homem sábio e bom, chamado Buda…
Vladimir esfregou os olhos:
— Meu Deus! Estou a sonhar?
A borboleta riu-se:
— Isso não tem importância. Ouve a minha história. Buda, o tal homem sábio e bom, achou que faltava alegria ao ar. Então colheu uma mão cheia de flores e lançou-as ao vento e disse: “Voem!”. E foi assim que surgiram as primeiras borboletas. A beleza das borboletas é para ser vista no ar, entendes? É uma beleza para ser voada.
— Não! — disse Vladimir abanando a cabeça. — Eu sou um caçador de borboletas. As borboletas nascem, voam e morrem e se não forem coleccionadores como eu, desaparecem para sempre.
A borboleta riu-se de novo (um riso calmo, como um regato correndo, não era um riso de troça):
— Estás enganado. Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma caixa. No entanto podes coleccionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.
Vladimir começava a achar que ela tinha razão.
— Se eu te libertar agora — perguntou — tu serás minha?
A borboleta fechou e abriu as asas iluminando o frasco com uma luz de todas as cores.
— Já sou tua — disse — e tu já és meu. Sabes? Eu colecciono caçadores de borboletas.
Vladimir regressou a casa alegre como um pássaro. O pai quis saber se ele tinha feito uma boa caçada. O menino mostrou-lhe com orgulho o frasco vazio:
— Muito boa — disse. — Estás a ver? Deixei fugir a borboleta mais bela do mundo.
José Eduardo Agualusa
Era uma vez
Revista Pais e Filhos, s/d
19 de outubro - Dia Europeu Da Luta Contra O Tráfico Humano
Fiquem desde já sabendo que a Coca-cola que vocês bebem; as roupas que vocês usam; os sapatos que vocês calçam; os carros que vocês têm ou desejam ter; as luzes das vossas casas; os vossos eletrodomésticos; os vossos telemóveis, computadores, ipads ou iphones; os dvds e cds que compram; os tapetes, cortinas, lençóis das vossas salas de estar ou dormir; até a comida que vocês consomem; os produtos de higiene e de beleza que vocês compram; tudo isto e bastante mais é produzido por mão-de-obra escrava ou quase escrava.
E se vocês querem saber quantos “empregados à força” estão a trabalhar para vocês acedam a este site. O site Slavery Footprint (pegada da escravatura, em inglês) tem como objetivo alertar a população mundial para o facto de que muito do nosso bem-estar está ligado ao sofrimento de gente que não conhecemos, mas que, por nossa causa, perderam o direito de serem livres. Eu nem sequer sou uma cidadã consumista e, mesmo assim, tenho 28 prisioneiros ao meu serviço. Escusado será dizer que hoje sinto-me bastante deprimida… Por outro lado, este site também nos oferece “segundas vias”: como comprar com consciência, como diminuir ativamente a mão-de-obra escrava de que dependemos, que marcas conscientes devemos adquirir, etc. Também existe um outro site que nos revela as marcas e empresas que atualmente exploram os pobres: chama-se free2work e a lista dos “carrascos do século XXI” está muito, muito completa .
Como é que é possível que as coisas tenham chegado a este ponto? Bom, não é assim tão difícil percebermos… Em primeiro lugar, o mundo Ocidental (Europa, EUA, Austrália) deixou de produzir. As nossas fábricas fecharam, as nossas frotas pesqueiras foram desmanteladas, as nossas minas desativadas, os nossos campos abandonados. Queremos a boa vidinha mas não queremos trabalhar para a ter. Como, infelizmente, continuamos a precisar de nos vestirmos, de nos calçarmos, e continuamos a precisar de viver em casas e de termos transportes públicos ou privados (e isto é apenas uma pequena amostra das nossas necessidades) alguém vai ter construir tudo isto por nós. Por fim, tornámo-nos gananciosos, sôfregos de novidades, eternamente insatisfeitos. Parecemos meninos birrentos e mimados que, ao fim de meia-hora a brincar com o novo brinquedo, já queremos outro.
Mesmo que nos sintamos culpados por estarmos a contribuir para a escravatura atual, a verdade é que o Ocidente, atualmente, não tem outra escolha se não aceitar esta tragédia: onde é que vamos buscar os minerais para os nossos novos PCs, se quase todas as minas da Europa fecharam? Onde é que vamos buscar comida, se praticamente toda a gente abandonou a agricultura? E quem é que vai pescar por nós? E quem é que monta os nossos computadores e eletrodomésticos? E quem é que constrói as nossas casas? E quem é que cose os nossos sapatos e costura as nossas roupas de marca? E quem é que…
Já que a crise entrou nas nossas casas e arrasou o Ocidente – e quem está a lucrar com tudo isto é a China, a Índia, o Brasil, a Angola, a Coreia do Sul – ao menos que estes anos tenebrosos que aí virão sirvam para alguma coisa: quem sabe se, a tempo, os europeus e os americanos cheguem à conclusão de que estarem dependentes do trabalho dos outros não é propriamente uma ideia muito inteligente a seguir. É que “qualidade de vida” não é sinónimo de “liberdade”: se algum dia os nossos escravos decidirem recusar-se a mandar comida para as nossas mesas, vamos comer o quê? Os nossos ipads?
E, já agora, acedam a este relatório do ano de 2009, cujo objetivo é mostrar que países praticam a escravatura e de que maneira (a partir da página 14 até à 28) . Por exemplo: sabiam que o chocolate é dos bens de consumo que mais escravos produz? De momento, a única marca que está livre deste flagelo é a Cadburys. Quanto à Nestlé, podemos dizer que está bastante atenta a este problema.
Acordem, abram a vossa mente e pensem no futuro que estamos todos a construir.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
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