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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONTO " A JARRA PARTIDA

A jarra partida
 Partiu-se a jarrinha, aquela jarrinha de flores pintadas à mão, tão elegante, tão graciosa que era o enlevo de todas as pessoas que passavam por nossa casa.
— Está na nossa família há séculos. Dizem que foi oferecida por uma rainha de antigamente a uma antepassada nossa — explicava a minha mãe, enternecida, a olhar para a jarrinha de flores pintadas.
Pois, mas partiu-se. Partiu-se em cacos inumeráveis que não há conserto nem cola que lhe valham. Quem foi o desastrado?
— Eu não — safou-se o Tiago. — Quando eu cheguei a casa, já a mãe estava a chorar.
O meu irmão Tiago ficou livre de qualquer suspeita.
— Eu também não fui — apressou-se a dizer o meu pai. — Quando eu cheguei a casa, já a vossa mãe estava a ser consolada pelo Tiago.
— Eu é que não fui — choramingou a minha mãe. — Tinha tanta estimação na jarrinha. Quando eu cheguei a casa, não havia cá ninguém e já a jarra estava partida em mil bocados. Por pouco que não desmaiava de desgosto.
— Só se foi o Bolinhas... — lembrou o Tiago.
O nosso gato Bolinhas desenrolou-se com muita dignidade e disse:
— Eu não fui nem tenho nada a ver com o assunto.
E voltou a enrolar-se e a adormecer. Ai, quem me dera ter podido fazer o mesmo!
— Fui eu — balbuciei.
Todos se viraram para mim.
— Tu, Marcos? E estavas calado?
Suspirei fundo e comecei a contar o que acontecera. À medida que contava, ia ficando mais tranquilo, sem aquela insuportável queimadura nem sei onde – no estômago? No coração? na barriga? – que me fizera correr de casa para a escada, da escada para a rua, como se tivesse lançado fogo ao prédio. Ou a mim próprio.
Tinha sido um azar. É sempre um azar. Para meter a ficha do gravador de vídeo na tomada da parede, tive de arredar um bocadinho a estante. Não contava que fosse tão pesada. Com a inclinação da estante, os livros escorregaram. Precipitei-me sobre eles, para evitar o desmoronamento. Não medindo os gestos, dei um encontrão numa mesinha que abalou o expositor onde estava a jarrinha. Estremeceram as bonecas de Saxe e saltaram as chávenas de café nos respetivos pires... A jarrinha, como a casca de um ovo, partiu-se. Acho que ela estava, há muito tempo, à espera de partir-se. Qualquer estremecimento lhe daria o pretexto. Dei eu. A culpa foi minha.
Disse isto com um ar tão enfiado, tão de lamentar, que o círculo acusador à minha volta se desanuviou e desfez por si. A minha mãe, suspirando, foi varrer os vidros da jarra para uma caixa, na ilusão de que talvez ainda pudesse ser restaurada, o Tiago lançou-me uma piscadela de olhos de “fixe, meu”, e o meu pai, antes de mergulhar no jornal, confidenciou-me:
— Sabes: a jarra realmente já estava partida. Há tempos, na balbúrdia de uma brincadeira com o Bolinhas, que ainda era gatinho, a jarra rachou-‑se. Isto é, rachei-a... Como estava sozinho em casa, tive tempo de consertá-‑la o melhor que pude, para não dar um desgosto à tua mãe. Mas, de facto, a jarra já estava partida.
Por aquela não esperava eu.
— Tu tiveste muita coragem em confessar — continuou o meu pai. — De aqui a bocado, ao jantar, quando estivermos todos juntos, vou ser eu a precisar de coragem. E desculpa...
O meu pai abriu à sua frente as longas páginas do jornal, não sei se para lê-las, se para esconder a cara do embaraço. Também é preciso coragem para pedir desculpa.
António Torrado

FRASE DO DIA

"As nossas paixões são os principais instrumentos da nossa conservação."

Sequenciado genoma do 'Homem dos Gelos'

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2332455&seccao=Biosfera

BrandsBreeze tem tecnologia totalmente portuguesa

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2330602&seccao=Tecnologia

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CARNAVAL - ORIGEM E EVOLUÇÃO

Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam os seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C.. É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" ou do latim "carne vale" dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleães, Toronto e Rio de Janeiro inspiraram-se no carnaval parisiense para implantar as suas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsínquia…
História e origem
A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazer. Em geral, o carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-feira gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras). O termo mardi gras é sinónimo de Carnaval.
O carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias na rua, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as atividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que em quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia. No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os bailes de máscaras, com as suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao carácter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.
in Wikipédia Livre (adaptado)
                          in Wikipédia Livre (adapatado)

FRASE DO DIA

"Um braço vigoroso não é mais aguerrido contra a lança do que um braço frágil; são o carácter e a coragem que fazem o guerreiro."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

FRASE DO DIA

"A nossa inveja dura sempre mais tempo que a felicidade daqueles que invejamos."

Portuguesa criou meio de auxílio ao diagnóstico premiado

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2300308&seccao=Sa%FAde

Portugueses acham ser vivo mais antigo à face da Terra

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2303457

UM CONTO DAS ARÁBIAS

Leïla
Leïla tem dez anos. Nasceu no grande deserto, onde os Beduínos viajam em camelos, no infinito das dunas movediças. Leïla é viva e veloz como um pássaro. Na tribo, chamam-lhe Leïla a indomável. O pai, o xeque Tarik, é justo. Por isso é respeitado em todos os acampamentos do deserto. Mas Tarik não sabe como acalmar a natureza selvagem da filha.
Leïla tem seis irmãos. Slimane é o mais velho. É o filho preferido do xeque Tarik. Só ele sabe como acalmar Leïla quando ela se irrita, quando se exalta. Só ele a faz rir quando está sombria e triste. E todos os dias Leïla acompanha Slimane através do oásis.
Certa manhã, quando as últimas estrelas se extinguem, Slimane deixa o acampamento. Monta o cavalo do pai e atravessa o deserto, procurando novas pastagens. Lá do alto de uma duna, Leïla e o pai acenam a Slimane que se afasta. Mas os dias passam e Slimane não regressa.
Tarik parte à procura do filho. Avança de duna em duna, de oásis em oásis. Leïla acompanha-o. Os pastores dizem-lhes que viram o cavalo branco, no horizonte, mas que este não levava cavaleiro algum.Os mercadores, com os seus camelos carregados de mercadoria, falam dos grandes espaços que atravessaram. Dizem a Tarik:
— Só Alá sabe onde se encontra o teu filho.
Então, Tarik compreende que o filho foi engolido pelas areias, como já acontecera a tantos Beduínos. E diz a Leïla que não voltará a ver Slimane. Leïla chora e grita. Ninguém pode levar-lhe o irmão, nem mesmo Alá!
Por fim, Tarik consegue acalmá-la. Regressam, vagarosamente, ao acampamento. Tarik fica em silêncio. Durante vários dias, permanece sentado na entrada da tenda, não tocando sequer nas deliciosas refeições que lhe oferecem os seus servidores. Leïla vagueia pelo oásis, como cega. Ao fim de sete dias, Tarik sai da tenda. Junta o seu povo e diz-lhe:
— A partir de hoje, qualquer um de vós que pronuncie o nome de Slimane será severamente punido. Quero esquecer!
O seu olhar é duro e frio. Todos os Beduínos baixam a cabeça. Sentem-se mal, mas ninguém ousa falar. Leïla também ouve a decisão do pai. Mas, apesar disso, todos os dias, sempre algo lhe fala de Slimane. Quando vê as crianças a brincar, lembra-se dos jogos que Slimane lhe ensinava. Quando passa pelas mulheres, recorda as histórias que lhes contava Slimane. Ao encontrar os pastores a guardar os rebanhos, pensa no pequeno cabritinho negro que o irmão adorava. A cada recordação Leïla quer gritar o nome de Slimane. Mas cala-se. E cada vez se torna mais selvagem e mais violenta. Os Beduínos afastam-se quando ela passa. Leïla sente-se mais só do que nunca.
Um dia, Leïla vê os irmãos fazerem um jogo que Slimane lhes ensinara. Então, sem pensar, diz-lhes:
— Slimane não jogava assim.
Os irmãos detêm-se de imediato, olhando-a com ar assustado. Ela tinha quebrado o silêncio.
Leïla vai visitar as mulheres à tenda e começa a contar-lhes uma história — uma daquelas que Slimane lhes contava. A mãe de Leïla protesta, angustiada:
— Pára, Leïla, se o teu pai ouve...
Pouco a pouco, as mulheres foram-se calando para ouvir, a sorrir e com um ar sonhador, a história de Leïla. Mas esta apercebe-se do ar inquieto da mãe. Queria fazer-lhe compreender... Mas só consegue gritar:
— Tenho de falar dele, tenho mesmo!
E sai a correr.
Leïla vai juntar-se aos pastores da montanha que, ao ouvirem o nome interdito, fogem. Mas Leïla vai atrás deles.
Fala-lhes do amor que o irmão sentia pelo pequeno cabrito negro. Pouco a pouco, os pastores aproximam-se dela. Quanto mais Leïla fala de Slimane, mais ele lhe parece próximo e presente. Agora sente-se em paz. Em breve todos a ouvem, a sorrir. É como se Slimane vivesse de novo entre eles.
Certa noite, um dos pastores mais jovens aproxima-se da tenda de Leïla. Chama-a:
— Anda, vem ver como o cabrito de Slimane cresceu.
Abre-se o pano da tenda e é Tarik que aparece. O seu olhar é mais gelado do que a aurora do deserto. As suas palavras ferem como o sabre mais cruel.
— Pastor, proibi que pronunciassem o nome do meu filho. Mas tu desobedeceste. Expulso-te deste oásis. Não voltes mais.
O pastor afasta-se, chorando. Os Beduínos baixam os olhos em silêncio. Estão infelizes. Têm medo. Afastam-se de Leïla, deitando-lhe um olhar de reprovação. Leïla quer gritar: “Slimane!”, mas guarda para si as palavras que lhe afloram aos lábios. Sente que a raiva aumenta. Sufoca. A sua paz é destruída. Parece que Slimane se afasta uma vez mais.
Na manhã seguinte, muito cedo, Leïla decide falar com o pai. Tarik está sentado na tenda, pensativo. Leïla aparece bruscamente à sua frente. Fala em voz baixa e reprimida:
— O pai não irá roubar-me o meu irmão. Não deixarei que o faça…
Tarik lança-lhe um olhar ameaçador mas Leila não lhe dá tempo para falar. Continua:
— Consegue ver o rosto de Slimane? Ouve a sua voz?
Tarik fica petrificado de espanto. Diz a tremer:
— Não, não consigo. Apesar disso, fico horas e horas no deserto.
Os olhos de Tarik enchem-se de lágrimas. Leïla diz-lhe docemente:
— Sei de uma maneira, pai, ora ouça...
Então Leïla começa a falar de Slimane. Como ele passeava com ela e o que dizia; como brincava e o que contava. Como a acalmava ou a fazia rir quando ela se irritava. Fala-lhe de alegria, de ternura e de vida... Quando acaba, diz:
— Pai, já consegue ver-lhe o rosto? Ouve agora a sua voz?
Tarik baixa a cabeça e, pela primeira vez desde há algum tempo, sorri.
— Está a ver — murmura Leïla — Slimane pode ainda viver entre nós.
Por algum tempo Tarik fica sonhador. Depois, volta-se para Leïla:
— Diz ao meu povo que venha juntar-se aqui.
Quando os Beduínos se reúnem em volta de Tarik, este declara:
— A minha filha Leïla soube trazer-me de volta o meu filho Slimane. Por isso, daqui em diante, chamar-lhe-eis Leïla – a mais sábia. Quero que o seu nome e o de Slimane sejam honrados em todos os acampamentos do deserto.
Dias mais tarde, o jovem pastor expulso regressou ao oásis.
E Slimane viveu de novo no coração de todos aqueles que dele se recordavam.
Sue Alexandre
Leïla
Porto, Ed. Edinter,1989
(Adaptação)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

FRASE DO DIA

"O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima."

1º PRÉMIO- CONCURSO "O PAI NATAL NA MINHA TERRA DE SONHOS"

O PAI NATAL NA MINHA TERRA DE SONHOS
Com o Pai Natal na minha terra de sonhos
Dá para cozinhar mil sonhos.
Cedo acordo
Ouço o sino a tocar
E levanto-me alegre, aos saltinhos
Devagar,
Para ninguém acordar
E vou, contente, ver os meus presentinhos.
Beatriz Soares, 6ºB

1º PRÉMIO- CONCURSO "O PAI NATAL NA MINHA TERRA DE SONHOS"


O PAI NATAL NA MINHA TERRA DE SONHOS
Com o Pai Natal na minha terra de sonhos

Dá para cozinhar mil sonhos.                                     

Cedo acordo

Ouço o sino a tocar

E levanto-me alegre, aos saltinhos

Devagar,

Para ninguém acordar

E vou, contente, ver os meus presentinhos.

Beatriz Soares, 6º B

14 DE FEVEREIRO - DIA DE S. VALENTIM

DIA DE S. VALENTIM
O Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de bombons. A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.
O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.
Além de continuar a celebrar casamentos, ele casou-se secretamente, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens enviavam-lhe flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele apaixonou-se pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.
Considerado mártir pela Igreja Católica, a data de sua morte - 14 de fevereiro - também marca a véspera de lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimónio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.
Outra versão diz que no século XVII, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine's Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a). As histórias mais comoventes foram as de Carolina e Tomás e de Bárbara e Miguel, que acabaram por ficar juntos dias após o dia dos namorados. A felicidade é algo que predomina nesta data. O dia de São Valentim era até há algumas décadas uma festa o hábito estendeu-se a muitos outros países. Atualmente, o dia é principalmente comemorada principalmente em países anglo-saxónicos, mas ao longo do século XX associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.

In wikipédia livre (adaptado)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

FRASE DO DIA

"Onde existem muitos para comandar, nasce a confusão."

UM CONTO DE AMOR.... E PAIXÃO

VIOLETA

Aqueles dois nem sequer reparam que Klaus abrira a porta da sala.
Então é aqui que está Niki, escondida atrás de umas costas altas e de uns braços compridos e verdes!
— O namorado da nossa filha tem uns braços de aranha! — costuma dizer o pai. E também diz: — Há três meses que traz vestida a mesmíssima camisola verde! Se calhar só a tira quando ela se desfizer!
— Deixa a Niki em paz — a mãe tenta acalmá-lo. — Tu não percebes! A Niki está apaixonada. O Bruno não tem de te agradar!
— Agradar?!
Deixa-me rir. Até fico cheio de comichão de cada vez que o vejo. Alto como a Torre Eiffel e magro como um esparguete! E é de uma coisa assim que a minha filha gosta? De um Bruuuno!!
“Será que o pai iria gostar mais da Violeta?”, pensa Klaus, à porta da sala.
Ele não se atreve a entrar e ir à prateleira buscar o livro sobre aviões, pelo menos enquanto os dois estiverem enrolados um no outro. Verde-aranha com pintas cor de laranja. As pintas cor delaranja são da t-shirt da Niki.
Porque é que Klaus tem de pensar agora mesmo na Violeta? E porque é que fica com o coração aos pulos? Aquilo ali, no sofá, à frente dele, não tem nada a ver com ele e com Violeta. Ou será que tem? Klaus ainda não beijou Violeta. Beijou, sim. Uma vez num jogo. Como multa, Klaus tinha de dar três beijos na cara de alguém. Claro que não foi escolher o Pedro ou o Martim e muito menos a Helga. Foi a Violeta quem recebeu os três beijinhos minúsculos. E logo de seguida, ficaram os dois vermelhos que nem tomates. Toda a gente se riu!
— O Klaus está apaixonado pela Violeta! — gritaram.
Deixá-los rir!
Estar apaixonado não tem graça nenhuma. É bonito, mas não é engraçado, pensa Klaus, porque Violeta se ofende muito depressa. E quando ela olha para ele só de relance, durante as aulas e depois no intervalo também… até dói! De cada vez que ele olha para Violeta e ela desvia o olhar, Klaus sente uma pontada lá no fundo… Mas agora, há já algum tempo que andam os dois bem, e Klaus tenta não fazer nenhuma asneira que possa zangar Violeta.
Klaus queria ir buscar o livro. Niki e Bruno ainda não repararam nele. Estão abraçados um ao outro e baloiçam-se levemente de um lado para o outro como se se tentassem adormecer mutuamente. Têm os olhos fechados. Estão em silêncio.
“Se calhar”, pensa Klaus, “quando se está mesmo apaixonado não se deve falar. O não falar significa precisamente gosto de ti.”
A dado momento, Niki abre os olhos mas só vê o seu Bruno. Não vê Klaus à porta.
A irmã e o namorado olham-se nos olhos, em silêncio. Continuam a não falar. “Hmm”, pensa Klaus, “eu e a Violeta também fazemos isso. Por acaso, este também é o nosso jogo. Olhamo-nos nos olhos muito tempo e tentamos adivinhar a cor dos olhos do outro porque ela muda ligeiramente todos os dias. Se há sol, se chove, se está claro ou escuro. Se é de manhã, ao meio-dia ou à tarde.”
Violeta acha que Klaus tem os olhos castanhos. Cor de café com leite. Klaus diz que tem olhos pretos. Como café sem leite.
— E os teus são azuis — diz depois Klaus. — Como a minha caneta.
— Não! Não gosto dessa comparação! — Violeta faz uma cara de ofendida e fulmina Klaus com o olhar. — Diz uma coisa mais bonita!
— Azul como o lago de Constança. — Klaus já lá tomou banho.
Violeta fica satisfeita com o lago, mesmo não o conhecendo. O azul de um lago é bonito.
— Como estes dois demoram! — suspira Klaus, apoiando-se na outra perna.
Então, quando se está apaixonado é assim… Agarramo-nos bem. Balançamo-nos de um lado para o outro. Fechamos os olhos por muito tempo. E, depois, abre-se os olhos mas não se pode olhar para mais lado nenhum a não ser para a pessoa que está à frente. A mão esquerda de Bruno percorre suavemente a mão direita de Niki, sobe pelo braço e volta a descer devagar. Também durante muito tempo.
Violeta iria achar isto estúpido. E Klaus, para falar a verdade, também. Já não aguenta muito mais tempo na soleira da porta. Klaus não gosta de ficar a olhar para namorados. Envergonha-se um pouco, mas não sabe bem porquê. Está um tanto agitado, mas não sabe muito bem porquê.
Vira as costas aos dois, mas choca contra a porta. Bum!
— Olha lá, miúdo, tu por acaso andas a espionar-nos?! — ouve-se a voz arranhada de Bruno.
— Há quanto tempo estás aí? — pergunta Niki, sentindo-se atingida.
Klaus encolhe os ombros. Será que deve dizer: “Há uma eternidade”?
— Já posso ir buscar o meu livro?
— Pensei que o teu irmão não estivesse cá hoje!
Bruno levanta-se.
— Da próxima vez que pensares que ele não está em casa, no teu lugar eu ia ver primeiro se, por acaso, não estará metido nalguma gaveta!
A voz de Bruno soa bastante desagradável. Niki também se levanta e segura o namorado pelo braço mas Bruno solta-se.
— Não me sinto bem aqui! — diz. — Tchau!
E vai embora. Nem sequer se torna a virar para Niki. Já não a olha mais nos olhos. Nem muito, nem pouco. Absolutamente nada.
Com Violeta é muito mais bonito. Eles acenam sempre com a mão um ao outro quando vão para casa, depois da escola, e se separam na paragem do elétrico. Pelo menos, nos dias em que Violeta não tenta olhar de relance para Klaus.
Depois, Violeta sorri.
Um sorriso muito amoroso e Klaus consegue ver-lhe os olhos, mesmo que já esteja muito escuro. Brilham, azuis como o lago de Constança. Continuam a brilhar mesmo quando Klaus já está do outro lado da rua, e ele até consegue sentir‑lhes ainda o brilho, muito depois de ter dobrado a esquina.

Evelyne Stein-Fischer
13 Geschichten vom Liebhaben
München, DTV Junior, 1990
(Tradução e adaptação)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O TEATRO REGRESSA À BIBLIOTECA

FRASE DO DIA

"A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos."

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

JOSÉ FANHA NA ESCOLA DE CACIA

http://email.tripwow.com/wf/click?upn=UJjzIXJNvPp-2FSIzB-2Fydsuw3CkzuokuPPc3pFcw-2Bi7F1N9irIdb7MK1PIWjPhtieA5Dly2WGURNGNMxC4mkqPdGnIJHWT70E3zDu-2BsJ2NXbI-3D_MGCcJ8OLAlzLi1gHWRrY3I-2FoVb6TCzpQo5QW49gQh2su6nybQvNgX3G1Cy45H0-2FU6cbMh2SsNb5jl6KlteQA-2BgTmZ-2BVMILwVwn2ed3LHGUAlrVG-2BUAkj0sQ47UHTnow0JXH8NblKBvL4TNKsItGiEOKzAIjfRfGxGT5zTD5eYYWbYrebrWy5xcX5O8rkquHd

Menino chinês consegue ver no escuro

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2274257&seccao=%C1sia

Europeus e asiáticos descendem do mesmo grupo de africanos

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2275652

UM CONTO DO PAÍS DO SOL NASCENTE

A tecedeira de cabelos negros
Há muito, muito tempo, na cidade de Quioto, vivia um samurai que estava casado com uma mulher bela, de bom coração, que era, além disso, uma excelente tecedeira.
Quis o destino que o samurai perdesse o lugar que ocupava: o seu senhor morreu e ele ficou a ser um guerreiro sem emprego, um ronin. Embora a mulher vendesse os tecidos, o dinheiro não chegava. Não viviam na pobreza, mas já não podiam manter o mesmo estatuto. Cheio de vergonha, o samurai desesperava-se.
Um belo dia embalou os seus haveres e pôs os sabres à cintura.
— Vou-me embora — disse ele à mulher. — Isto não é vida para um homem como eu! Não suporto esta desonra. Arranja outro marido, que eu vou procurar a sorte noutras paragens.
Lavada em lágrimas a mulher suplicou:
— Peço-te que não me abandones. Hei de tecer ainda mais e vender cada vez mais!
Mas o samurai tinha o coração fechado. A mulher chorava, com os longos cabelos negros a flutuar sobre os ombros, mas ele apertou as sandálias, montou o cavalo e partiu sem olhar para trás.
Foi até uma cidade longínqua, onde por fim entrou ao serviço de um novo senhor. Graças às suas qualidades, rapidamente se fez notado e em pouco tempo passou a ser um dos mais próximos servidores do amo. Ora, este tinha uma filha, mimada e egoísta. “Se casar com ela, pensou o samurai, está feita a minha fortuna”. Assim, levado pelo interesse, fez-lhe a corte e soube cair-lhe em graça. O casamento foi motivo de grandes festas. Depois tudo voltou ao normal, como dantes.
A nova mulher passava o tempo diante do espelho, a depilar as sobrancelhas e a provar inúmeros vestidos de alto preço, enquanto o samurai servia o senhor e se cobria de glória nos campos de batalha, graças ao sabre, à lança e ao arco. Também acompanhava a esposa quando esta se fazia levar de liteira de loja em loja para comprar tecidos, vestidos, enfeites e joias. De pé, na rua, ao lado dos carregadores, irritava-se com a vaidade e a futilidade das suas ocupações. E não encontrava alegria naquela vida de rico com que tanto sonhara.
Vinha-lhe cada vez mais à lembrança a sua primeira mulher. De noite, via o seu lindo rosto, os olhos meigos a brilhar de afeto por ele, os seus longos cabelos pretos caídos sobre os ombros. Ouvia o bater do tear onde ela tecia os maravilhosos tecidos. Estendia para ela os braços e acordava destroçado, sentindo um enorme tédio por tudo aquilo que o rodeava.
Ao fim de algum tempo, os sonhos passaram a assaltá-lo durante o dia. Enquanto esperava que a esposa terminasse as suas eternas compras, o rosto da primeira esposa aparecia diante dele, com o seu sorriso, os traços finos, as mãos delicadas, a cabeleira preta. Aquelas imagens voltavam e perturbavam-no cada vez com mais frequência, ressuscitando-lhe o amor e o desejo. Durante a noite, lágrimas amargas cobriam-lhe os olhos. Agora sabia que, obcecado pelo sucesso, tinha cometido uma loucura. Rejeitara quem o amava e que ele amava também, sacrificara-a à busca de riqueza e de poder. Totalmente consciente desse facto, decidiu abandonar aquela existência artificial, voltar para a verdadeira mulher e pedir-lhe perdão.
Uma noite, montou o cavalo e tomou o caminho de Quioto.
Após vários dias de viagem, chegou à cidade um pouco antes da meia noite. Meteu por ruas escuras, desertas como túmulos e, com o coração a palpitar, dirigiu-se para a sua antiga morada. Entrou no pátio. As ervas estavam altas. À luz do luar, verificou que o papel de parede estava rasgado nalguns sítios. “Sim, disse a si mesmo, a vida não foi fácil para ela, mas agora que regressei, vou remediar tudo. Sim, tudo irá correr bem”.
Prendeu o cavalo, subiu os degraus, descalçou as sandálias, empurrou a porta e entrou. Percorreu as divisões da casa, e depois ouviu o bater regular do tear. O coração do samurai deu um pulo. Abriu uma última porta. A sua mulher estava sentada diante do grande tear, vestida com um vestido remendado, os belos cabelos negros caídos em cascata sobre os ombros e as costas. Voltou-se e viu-o. Um sorriso luminoso iluminou o seu belo rosto pálido. Correu para o marido que a tomou logo nos seus braços.
— Perdoa-me, — disse ele a chorar — perdoa-me, fui um tolo. Mas vou recuperar o tempo perdido, juro-te!
— Chiiiuuu! — murmurou ela, também em lágrimas, — chiiiuuu! Isso agora já não importa. As minhas orações foram ouvidas. Voltaste. Anda, vem!
Passaram a noite a conversar, a rir e a chorar, abraçados, enquanto as velas ardiam e se iam extinguindo. Até que o samurai acabou por adormecer, vencido pelo sono. De manhã, os raios do sol despertaram-no. Abriu os olhos. O astro brilhava mesmo em frente, através dos buracos do telhado: uma grande parte, apodrecida, tinha caído. Esfregou os olhos, mas não estava a sonhar. O sol batia-lhe em cheio. Estupefacto, olhou em volta.
Havia bolor em tudo, no papel rasgado das paredes e nas traves caídas. No chão de madeira carcomida cresciam ervas. Via-se no meio da sala um tear partido. Ao lado estava a mulher deitada, de costas para ele, os seus finos ombros envoltos num quimono remendado, os longos cabelos caídos pelas costas até ao chão. Segurando-a pelos ombros, virou-a para si e… foi apenas um esqueleto o que viu. Há muito, muito tempo que a sua querida mulher tinha morrido de desgosto, de solidão e de saudade.
Rafe Martin
« Les cheveux noirs » in 10 contes du Japon
Paris, Castor poche Flammarion, 2000
(Tradução e adaptação)