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sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

BRINCAR ÀS GUERRAS


― Está muito calor para jogar basquete. Vamos fazer outra coisa ― sugeriu Luke.
Os amigos sentaram-se à sombra do salgueiro a decidir o que fazer.
― Tens mais balões de água? ― perguntou Danny.
― Não ― respondeu Luke. ― Quem me dera ter.
― Podemos jogar jogos de vídeo ― sugeriu Sameer, com um sorriso rápido.
― Não, não podemos ― disse Luke. ― A minha mãe disse que tínhamos de brincar ao ar livre.
― Já sei! ― exclamou Jeff. ― Vamos brincar às guerras!
Luke levantou-se logo.
― Que óptima ideia! ― concordou.
― E se fôssemos andar de bicicleta? ― sugeriu Jen.
― Não, nem pensar ― atalhou logo Jeff. ― A guerra é melhor! Há muito que não brincamos.
E Luke acrescentou:
― Podemos esconder-nos e fazer uma emboscada. Jen, tu és boa a atirar granadas.
Jen sorriu. Luke pegou num pau e traçou uma linha no chão poeirento. De um lado escreveu um grande S e do outro desenhou um I.
― Temos de nos dividir em duas equipas, Soldados e Inimigos.
Depois tirou o boné e pô-lo no meio da linha.
Jen explicou as regras a Sameer:
― Todos temos de pôr alguma coisa dentro do chapéu. Depois despejamo-lo em cima da linha e vemos quem faz de Soldado e quem faz de Inimigo, conforme o sítio onde os objectos caem. Vais ver que o Luke põe a sua placa de identificação militar. Faz sempre isso.
― O que é uma placa de identificação militar? ― perguntou Sameer.
Sameer tinha vindo de um outro país para viver com os tios. Tinha aprendido a jogar basquetebol bem depressa, mas não sabia brincar às guerras. Luke mostrou-lhe uma placa de metal brilhante que tinha ao pescoço.
― É isto. Era do meu tio. Ele já esteve numa guerra a sério e, quando voltou, deu-ma. Os soldados andam sempre com ela. É muito importante.
 Sameer esfregou a placa brilhante com os dedos.
― Não tenho uma igual ― disse.
― Não faz mal. Ninguém tem ― consolou-o Luke. ― Podes pôr outra coisa qualquer no chapéu. A Jen vai colocar uma pedra e o Danny põe um cromo de basebol.
Sameer remexeu no bolso e tirou de lá um pião.
― Posso usar isto?
― O que é isso? ― perguntou Danny.
― É um pião ― respondeu Sameer. ― Vocês não têm disto aqui?
 Tirou um cordel do bolso e continuou:
― Lá no meu país havia muitos.
De repente, o pião rolou aos pés deles. Sameer atirou-o ao ar, apanhou-o a girar e colocou-o no boné de Luke.
― Que espectáculo! ― disse este.
Depois virou o boné com um gesto rápido e anunciou:
― Os Soldados são Danny, Jen e Jeff. Os Inimigos são o Sameer e eu.
Antes mesmo de os outros se terem mexido, Luke correu pela encosta abaixo, gritando:
― Os Inimigos vão para o pinhal. Os Soldados ficam aqui.
Jen queixou-se:
― Não é justo começar a guerra antes de estarmos prontos!
― Como nos preparamos para uma guerra? ― perguntou Sameer, logo que chegaram às árvores.
― Apanha paus para fazerem de armas e pinhas para fazerem de bombas e granadas. Temos de ter um plano de ataque.
Dentro de alguns minutos, o boné de Luke estava cheio de pinhas. Sameer só tinha uma.
― Só tens uma? ― admirou-se Luke.
― Acho que chega.
― Talvez para ti. Quanto a mim, tenciono arrancar-lhes a cabeça!
Sameer deu a sua pinha a Luke e disse:
― Lembrei-me agora de que tenho de ir cedo para casa.
Virou costas e deixou o amigo ali especado.
― Espera! ― gritou Luke. ― Não posso ser o único Inimigo! São muitos contra um!
Mas Sameer já tinha desaparecido.

Quando os miúdos se juntaram de novo na manhã seguinte, o plano de Luke estava pronto. Tinha apanhado montes de pinhas atrás de casa e tinha-as escondido no pátio. Estava ansioso por começar. Comentou para Sameer:
― Quem me dera que houvesse uma guerra para miúdos. Uma guerra a sério.
― E há ― disse o amigo, em voz baixa.
― O quê? Onde? ― quis saber Luke.
― No meu país.
Sameer pegou numa bola de basquete, driblou e encestou.
― No sítio onde vivias? ― perguntou Luke.
― Sim, perto da minha casa verdadeira, antes de vir viver com o meu tio Mustafa. Até participei nela.
― Nela o quê?
― Na guerra.
― Estás a brincar! Nunca nos contaste nada. Tinham meninos-soldados e metralhadoras?
Sameer deixou cair a bola e sentou-se junto de Jen. Embora tivessem brincado bastante juntos este Verão, nenhum deles sabia muito sobre o outro.
― Não gosto de falar sobre isso ― confessou Sameer. ― Eu não era soldado. Ninguém na minha família era. Entrámos na guerra porque fizeram a nossa casa ir pelos ares.
― Quem fez? ― perguntou Jeff.
― Não sabemos. Havia muitos tiros a serem disparados de ambos os lados.
O menino pegara, entretanto, no pião, e começara a enrolar o cordel em torno dele.
― Os meus pais e o meu irmão estavam em casa quando morreram. Como eu estava na escola, salvei-me e vim viver com o meu tio Mustafa.
― Mas, porque atacaram a tua família? ― sussurrou Jen.
― Foi um engano. Não planeavam atacar-nos. O meu tio disse que os morteiros deviam ter atingido outras casas.
Todos olharam para ele. Ninguém sabia o que dizer. Sameer falava de algo que eles nem imaginavam que existisse.
― Foi um erro terrível ― disse Luke, por fim.
Sameer concordou com a cabeça.
― Quem me dera que nunca tivesse acontecido.
Ao ouvir a história de Sameer, Luke teve vontade de chorar. Por momentos, ficou apenas a olhar para o pião do amigo. Depois, foi até à linha divisória que traçara no chão e apagou as letras S e I, bem como a própria linha.
― Não vamos jogar mais? ― quis saber Danny.
― Vamos ― respondeu Luke, pondo o braço em torno de Sameer. ― Vamos jogar basquete.
Depois olhou para os amigos e disse:
― Está muito calor para guerras.


Kathy Beckwith
Playing War
Maine, Tilbury House, 2005
(Tradução e adaptação)


terça-feira, 12 de abril de 2011

Nuvem de poeira do Saara atingiu Portugal

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1827875&seccao=Biosfera

Cientistas mais perto da criação de um computador cerebral

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1827981&seccao=Tecnologia

Asteróide vai passar muito perto da Terra

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1828343

O homem que nos disse que a Terra é azul

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1828580

FRASE DO DIA

"O orgulho é o complemento da ignorância"
Fontenelle, Bernard

As sereias não gostam de discussões

Todas as crianças receiam as cócegas e as discussões. As crianças-fadas, as crianças-feiticeiras, as princesinhas e, sobretudo, as pequenas sereias. Se as sereias não gostam mesmo nada de ouvir os pais a discutir, é porque a água transmite os sons cinco vezes mais depressa do que o ar e cinco vezes com mais força. É por isso que, em casa delas, uma cena doméstica, uma simples discussão, se transformam num pesadelo aquático.
Na família da sereia Emma, as discussões começavam sempre assim:
–– Repete o que acabas de dizer!
–– Quem é que julgas que és?
E upa, depois do rebentar de algumas bolhas, a água começava a agitar-se, a agitar- -se… e tínhamos tempestade! Quando o mar ficava assim revolto, Emma começava a ver tudo desfocado. Os pais apareciam-lhe deformados, horríveis, com o rosto distorcido por causa da turbulência das águas. Era feio, feio, feio. Então Emma sentia o coração gelar. Punha as mãos nos ouvidos e agradecia aos céus o facto de ter duas mãos e não duas barbatanas. Mas, mesmo tapando os ouvidos, continuava a ouvir: “Detesto-te, detesto-te, não quero voltar a ver-te.” Estas discussões eram verdadeiras catástrofes ecológicas. Quando se desencadeavam, os cardumes de peixinhos multicores fugiam em debandada para o outro extremo do mar, como se perseguidos por um tubarão. Os ouriços-do-mar imobilizavam-se, as anémonas expeliam em silêncio o seu veneno e os polvos lançavam co mpridos jactos de tinta negra.
“Como é possível”, pensava Emma, “que pessoas adultas, com dois braços, uma cauda de sereia e um cérebro de sereia, gritem na água como se fossem verdadeiros bebés?” E pensava em todos os pais-sereias divorciados, que iam viver longe um do outro, um no mar Adriático, outro no Oceano Atlântico. E dizia para consigo: “A minha mãe trouxe-me no ventre porque amava o meu pai. Mas se nasci no amor deles, também posso desaparecer!” Era, é claro, um pouco excessivo, mas muito lógico na cabeça de uma pequena sereia. Aliás, quando ouvia os pais agredirem-se, tinha a impressão de que o seu coração se despedaçava como gelo quebrado. Porque as pequenas sereias não são peixes como os outros. São meninas de verdade, frágeis, com sentimentos e muita imaginação. O que poderia ela fazer? Tinha ouvido falar de uma outra sereia que trocara a cauda por um par de pernas. “Ter pernas ser-me-ia muito útil para fugir para terra, longe dos gritos dos adultos”, pensava. Para não morrer por causa de todas aquelas discussões, Emma afastava‑se para longe daquelas extensões de água cheias de turbulência, daqueles rostos distorcidos, daquelas tempestades aquáticas, e penetrava nas florestas de algas labirínticas. Ia tão longe quanto possível, descendo às profundezas, onde o silêncio é mais forte do que todos os gritos do mundo. E quando, à noite, se davam conta que ela tinha desaparecido, o pai, a mãe e todas as suas irmãs sereias iam procurá-la, longe, muito longe, nas águas doces, nas águas tépidas, abrindo, com as mãos, caminho por entre as algas, espreitando dentro das anémonas, batendo docemente à porta das conchas:
–– Emma, estás aí?
Com o coração apertado, pensavam que ela tinha desaparecido para sempre. Porque corria esse risco. Nas profundezas do mar, uma pequena sereia, mesmo experiente, pode muito bem perder o norte. E os pais perguntavam-se: e se ela foi lançada para terra? Ou engolida por um tubarão? E quando, por fim, a encontravam, curvada dentro da sua concha, com as mãos nos ouvidos, tomavam-na nos braços com muita doçura para a levarem para casa. Sentiam vergonha. E diziam-lhe:
–– Desculpa, sabes, somos dois grandes patetas. Mas já fizemos as pazes!
Quanto mais crescia, mais a pequena sereia compreendia que a vida, o cansaço, as pequenas coisas do quotidiano, uma gota de água que cai continuamente em cima de um rochedo, enfim, pequenos nadas, podem também desencadear grandes discussões.
Quando se tornou adulta, sorria ao ouvi-los, porque sabia que não tinha nada mais a recear. Que o seu coração não ia congelar nem ficar como gelo desfeito. E, ao ouvi-los, dizia para consigo: “Daqui a pouco, estão a dizer-me que nunca mais voltarão a discutir. E eu vou fingir que acredito! Porque sei muito bem que é difícil viver-se na mesma água sem discussões. Mas também sei que o mundo não vai desabar por causa disso.”
                                                                                                              Sophie Carquain
                                                                                                        Petites histoires pour devenir grand
                                                                                                                 Paris, Albin Michel, 2003
                                                                                                                   (Tradução e adaptação)




quinta-feira, 7 de abril de 2011

HISTÓRIA DA VIDA NOVA

Vida Nova


Eu sei que foi o melhor para mim, mas… internar-me num colégio interno enquanto os meus pais iam para França? É um bocadinho de mais! Isso era o que eu dizia e pensava. Quando, no meu décimo sexto aniversário, os meus pais resolvem ir para França, como eu não podia porque estava a meio do ano e queria continuar os estudos, fiquei em Portugal, num internato, longe dos meus amigos.
No início foi muito complicado tornar-me amiga de alguém, ainda por cima com a filha do director por perto. Hoje, dizem-me que ela apenas tinha inveja de mim, mas naquela altura pensava que me queria ver longe.
Duas semanas depois ouvi dizer que o clube de esgrima precisava de novos elementos e por isso resolvi inscrever-me. Ninguém sabia, mas eu era fanática por esgrima. Por isso, no dia seguinte apareci no clube e percebi porque andavam à procura de novos elementos, apenas havia um, um rapaz da minha turma, o Gonçalo. O treinador, Jim, ensinou-me o mais básico e comecei logo a praticar com o Gonçalo. A aula acabou, ele foi-se embora e eu apenas proferi, irónica, “Também gostei muito de te conhecer”, e segui para o balneário. Depois do jantar, avisaram-me que ia ter uma nova colega de quarto. Se os meus amigos antigos me vissem, não me reconheceriam. Eu sempre tinha sido sociável, amigável e faladora. Agora estava calada, anti-social e até falava mal para algumas pessoas. Os meus amigos já não comunicavam comigo e isso só me ajudou a ficar cada vez mais arrogante.
Duas semanas depois, a Andreia, a minha nova colega de quarto, chegou, e depois de alguns dias tentou fazer amizade comigo, mas eu, burra como estava, não lhe liguei.
Certa tarde recebi um bilhete a dizer “Quero a desforra. Hoje, às 16:00horas no ginásio G.” Percebi logo de quem era o bilhete, despedi-me da Andreia e fui para o ginásio. Depois da terceira ronda, já estávamos cansados e parámos um pouco… Então, ele virou-se para mim e elogiou-me:
- Tu praticas bué bem! O meu nome é Gonçalo… O teu é… Juliana, certo?
Ok, aquilo irritou-me profundamente, tinha logo de me chamar o nome da filha do director? Preguei-lhe uma rasteira, ele caiu ao chão e, com o meu florete perto da garganta dele, informei:
- O meu nome é Ana! Não me confundas com essa!
Depois ajudei-o a levantar e fomos para a cantina a falar de técnicas. Quando ele foi para a mesa dos seus amigos, Ricardo e Miguel, eu fui para uma mesa sozinha. Quando a Andreia apareceu, também foi para a mesa do Gonçalo e ficou muito animada a falar com o Ricardo. Tanto o Ricardo como a Andreia eram génios; o Gonçalo, tal como eu, era mediano e o Miguel… bem o Miguel era muito mau… Continuei a comer e a ouvir música, até ouvir a Juliana a maltratar a Andreia. Aquilo enfureceu-me. Podia não ser amiga dela, mas era companheira de quarto, por isso levantei-me e fui lá. Quando lá cheguei a Juliana estava quase a bater na Andreia e eu peguei-lhe na mão. Ela ficou a olhar para mim e eu aconselhei-a:
- Tu vais desandar daqui e deixar a Andreia em paz!
- Concordo com a Ana! – Anuiu o Gonçalo.
- Esta gente é tão estúpida! – Ripostou a Juliana, e virando-se para as amigas – Vamos meninas, vamos tomar banho.
- Fazes bem Juliana, tomar o quinto banho do dia!... – Comentou o Miguel, irónico.
- Uma flor precisa de se cuidar – respondeu a Juliana.
- Ya, e pode ser que assim floresça algum cérebro nessa cabeça!... – Troçou o Miguel. Eu e o Gonçalo começámos a rir como dois malucos.
Depois de a Juliana ir embora, elogiei o Miguel, comentando que ele tinha bastante piada e também fui. Quando estava a chegar à minha mesa para pegar no tabuleiro e sair, o Gonçalo pegou na minha mão e disse:
- Porque não acabas de jantar connosco?
- Porque eu já acabei!
- Faz-nos companhia, para depois acompanhares a Andreia. Ela está um pouco abalada.
Concordei e, timidamente, sentei-me na mesa deles. Fiquei calada a ouvir música e quando a Andreia se levantou, segui-a. Durante a noite, ouvi choro e acordei. Quando vi a Andreia a chorar, lembrei-me de tudo o que passei quando era mais nova, e do apoio que as minhas amigas me deram e por isso fui ter com a Andreia e abracei-a. Senti uma vontade enorme de ser amiga dela, e por isso pedi desculpa pelas minhas atitudes. Ela desculpou-me e contou-me o que se passava. Disse-me que gostava do Ricardo, mas que ele apenas a via como uma amiga. Eu disse-lhe que ela não sabia se era verdade. Depois também me disse que tinha passado uma grande vergonha com a Juliana e eu disse-lhe para não ligar a barbies sem cérebro. Com isso consegui um sorriso dela!...
No dia seguinte, o Gonçalo voltou a convidar-me para tomar o pequeno-almoço com eles e reparei que o Ricardo olhava de uma forma apaixonada para a Andreia. Como sempre me tinham dito que era um bom Cupido, resolvi fazer alguma coisa. A caminho da aula falei com o Gonçalo a respeito do Ricardo e ele contestou:
- Sim já reparei, mas ambos são tímidos de mais, e o Ricardo pensa que a Andreia só quer ser amiga dele.
Informei-o que a Andreia pensava da mesma forma e ele propôs darmos um empurrãozinho. Durante o almoço, fui para uma mesa sozinha e o Gonçalo chegou lá e disse:
- A menina quer fazer o favor de ir para a nossa mesa?
Respondi que não podia, ele tirou-me o tabuleiro da mesa e pôs na dele e veio buscar-me. Depois do Ricardo, o Miguel e a Andreia saírem da mesa, nós combinámos fechar a Andreia e o Ricardo num sítio qualquer e talvez assim, eles se declarassem. Como à tarde não tínhamos aulas, resolvemos pôr o plano em prática. Liguei à Andreia e o Gonçalo ao Ricardo e ficou combinado eles irem ter connosco ao quarto do Miguel e do Gonçalo. Quando a Andreia chegou, o Gonçalo estava dentro do quarto com o Ricardo e quando eu disse à Andreia para entrar, o Gonçalo saiu, e fechámos o quarto à chave. Meia hora depois, abrimos a porta e a Andreia estava com uma cara de meter medo, e perguntou porque tínhamos feito aquilo. Eu e o Gonçalo pedimos desculpas, mas reparei que o Ricardo e a Andreia estavam de mãos dadas e contei ao Gonçalo.
Um mês se passou, e eu continuei a comer na mesma mesa que o Gonçalo, o Ricardo, o Miguel e a Andreia. Durante uma tarde em que eu estava com o Miguel e com o Gonçalo, recebi uma mensagem de um antigo amigo, o Filipe, a dizer que ia ter comigo. Fiquei animadíssima, sempre adorei falar com ele. Dois dias depois fui ter com ele a uma padaria, mas cometi o erro de não avisar ninguém. Ficamos a tarde inteira a matar saudades, até que o Ricardo me ligou a dizer:
- Ana, o Gonçalo desapareceu. Foi à tua procura e ainda não voltou.
Fiquei de caminho alarmada, e resolvi ligar-lhe. Ele não me atendeu e fui à procura dele. Resolvi ir a uma cascata que havia perto da escola, onde eu e ele costumávamos passar algumas tardes. Quando lá cheguei, ele estava sentado a olhar para a água. Aproximei-me e abracei-o.
- Seu tonto, não sabes o quanto fiquei preocupada contigo!...
- Mas que raios onde estavas? – Disse ele.
-Fui ter com o Filipe, como disse!
-Claro, o Filipe. Há dois dias que não falas de outra coisa! – verbalizou, com ciúmes.
- Óbvio, ele é meu amigo. Gonçalo, é impressão minha, ou estás com ciúmes?
- Claro que estou, não se nota? – Perguntou ele. Fiquei boquiaberta a olhar para ele. – É muito difícil perceberes que gosto de ti?
Sem dizer mais nada, levantou-se e beijou-me. Aquele beijo foi a confirmação que a minha nova vida estava a começar.

Ana Fontoura, 9ºA

FRASE DO DIA

"O orgulho é o complemento da ignorância"
Fontenelle, Bernard

Dois vulcões pela sonda Mars Express

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1824227

segunda-feira, 4 de abril de 2011